Produtor de trigo no vermelho desde 2014

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O cultivo de trigo na Região Sul, que abriga a maior parte da produção brasileira, está dando prejuízo aos produtores pelo menos desde 2014, um ano após uma quebra de safra na Argentina que havia mantido as cotações do cereal em patamar elevado, de acordo com um estudo divulgado ontem Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O estudo levou em conta a média ponderada de preços no período de colheita - o que desconsidera, portanto, vendas realizadas fora do período da colheita, quando os preços não estão tão pressionados pela oferta nova. O levantamento foi feito em cinco municípios do Sul, um de Minas Gerais e dois do Centro-Oeste.

No ano passado, a margem dos produtores do país foi severamente comprometida pela forte queda dos preços do trigo no mercado doméstico, que refletiram não a situação de oferta e demanda do país, mas no mundo.
 

Em cinco municípios do Sul, a margem líquida média dos produtores tem sido negativa desde 2013. Cruz Alta, no norte do Rio Grande do Sul, foi onde se registrou o pior resultado no ano passado: prejuízo médio de R$ 902 por hectare. Em Passo Fundo (RS), o prejuízo é ainda mais antigo, desde 2009 (início da série histórica). No ano passado, a perda ficou em R$ 556 por hectare.
Mesmo nos municípios paranaenses - onde o trigo cultivado é de melhor qualidade e, portanto, tem preços mais altos -, o prejuízo também se arrasta há anos. Em Cascavel (PR), os produtores de trigo amargaram em 2017 uma margem líquida negativa de R$ 591 por hectare, que só não foi maior do que em 2014, quanto o prejuízo foi de R$ 665 por hectare.

Em geral, a receita obtida pelos produtores do Sul em 2017 cobriu apenas as despesas de custeio (que incluem insumos, máquinas e mão de obra), mas não as despesas variáveis (que incluem despesas financeiras) e as despesas operacionais (que incluem depreciação).

Nos três municípios paranaenses pesquisados pela Conab, as despesas de custeio entre 2009 e 2017 subiram abaixo da inflação do período. Os produtores dos dois municípios do Rio Grande do Sul pesquisados não tiveram a mesma sorte.

Em contrapartida, a situação financeira dos produtores de trigo dos outros Estados pesquisados pela estatal é menos dramática. Em São Gotardo (MG), a cultura do cereal deu, em média, margem líquida negativa de R$ 876 por hectare no ano passado, mas em 2016, deu lucro líquido de R$ 267 por hectare. Em Laguna Carapã (MS), os produtores tiveram prejuízo de R$ 83 por hectare de trigo no ano passado, mas após um ano com margem líquida de R$ 26 por hectare.

Os produtores de Brasília (DF) tiveram mais sorte e conseguiram registrar, em média, um lucro líquido de R$ 136 por hectare com o cultivo de trigo no ano passado 

Fonte: Valor Econômic0

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