Boas perspectivas para o campo na próxima década

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A produção agrícola brasileira e as exportações de grãos e carnes do país deverão registrar forte crescimento ao longo dos próximos dez anos, afirmou ontem o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, durante a abertura do Global Agribusiness Forum, evento em São Paulo organizado pela consultoria Datagro.

A afirmação se baseia nas mais recentes projeções do Ministério da Agricultura. Considerando as perspectivas traçadas pela Pasta, a colheita de grãos do país alcançará 302 milhões de toneladas na safra 2027/28, 30% mais que em 2017/18 (233 milhões de toneladas). Para a produção de carnes, o aumento previsto é de 27%, para 35 milhões de toneladas em 2028.

No caso das exportações, os incrementos projetados entre 2017/18 e 2027/28 são ainda mais expressivos. Para os embarques de grãos em geral, chegam a 36,3%, para 139 milhões de toneladas; para os de carnes, a alta esperada é de 35,4%, para 8,8 milhões. O Brasil é o maior exportador mundial de soja e das carnes de frango e bovina. 

Segundo o ministro, esse aumento da produção de grãos será possível sem que, por isso, o setor tenha que promover qualquer tipo de desmatamento ilegal. Blairo afirmou que a maior parte da expansão da produção de grãos, por exemplo, deverá acontecer em áreas atualmente ocupadas por pastagens, um movimento que já vem ocorrendo nos últimos anos. Do outro lado, a oferta de carnes cresce em decorrência do aumento da produtividade do segmento.
 
O objetivo declarado do Ministério da Agricultura é ampliar a participação do Brasil no comércio global de produtos agrícolas de 7% para 10% até 2022. Para isso, no entanto, o Brasil terá de superar as diversas barreiras comerciais e sanitárias que atingem o país. Desde a Operação Carne Fraca, em 2017, os exportadores de carnes vêm sofrendo restrições em mercados relevantes como Rússia, União Europeia e China.
 
Para reverter ao menos parte das barreiras, o ministério e os exportadores contam com a influência do presidente Michel Temer. A partir de quartafeira, acontece a Cúpula dos Brics, em Joanesburgo, na África do Sul. O encontro terá a presença dos chefes dos países do grupo. "É a semana em que o presidente vai entrar em campo", ressaltou o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o ex-ministro da Agricultura Francisco Turra, durante entrevista às margens do fórum.
 
A expectativa é que Temer se reúna com o líder chinês, Xi Jinping, e com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para buscar uma saída política para o embargo russo às carnes suína e bovina do Brasil e para as tarifas antidumping da China à carne de frango. O embargo russo foi decretado em novembro de 2017, e a sobretaxa chinesa entrou em vigor mês passado.
 
No caso da Rússia, não será a primeira tentativa de Temer. Segundo Blairo Maggi, o presidente brasileiro chegou a ligar a Putin pedindo o fim da barreira, mas não houve resultados práticos.
 
No mês passado, durante reuniões preparatórias para a Cúpula dos Brics, Blairo conversou com o vice-ministro da Agricultura da Rússia sobre o tema. "Havia algumas desinformações entre nós", admitiu. Nesse cenário, uma nova rodada de negociações técnicas entre os governos brasileiros e russo teve início. Hoje, técnicos do Ministério da Agricultura estarão em Moscou para discutir o tema. Se chegarem a um acordo, restaria a questão política, que poderia ser resolvida na África do Sul.

Fonte: Valor Econômico

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