Aumento do preço da farinha e greve reduzem crescimento de fabricantes

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O aumento nos custos e a greve dos caminhoneiros frearam as expectativas otimistas para a indústria de panificação em 2018. O segmento estima encerrar o ano com crescimento de até 1,9% em relação ao ano passado, quando faturou R$ 90,3 bilhões.

Os fabricantes esperavam repetir o resultado do ano passado, quando obteve incremento de 3% no faturamento. "Se chegarmos ao mesmo valor de 2017 estará de bom tamanho", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Panificação (ABIP), José Batista de Oliveira. Segundo ele, o segmento enfrenta vários desafios, a começar pelo aumento da farinha, que alcançou 40%, em média e a alta da energia. "Esses dois pontos são difíceis de superar quando se está em um cenário de demanda reduzida, em que não há espaço para repassar preços ao consumidor", diz.

Para o presidente da Sindicato e Associação da Indústria de Panificação e Confeitaria de São Paulo (Sindipan), Antero Pereira, mesmo diante desse cenário, há espaço para crescimento, ainda que as vendas tenham registrado queda de 5% nos dois primeiros trimestres dos ano. Ele projeta alta de 1,9% de faturamento para o setor.

"A partir de julho começamos uma recuperação, pequena, porém, que deve garantir um crescimento", estima Pereira. "A pior fase da crise já passou e, se nenhuma questão política atrapalhar, as coisas vão correr normalmente no segundo semestre.

Para ele, o desafio do setor é se manter competitivo em meio à concorrência com grandes redes e lojas de conveniência. "Acredito no mercado de produtos congelados de padaria para consumo em casa." Pereira aponta a necessidade de apostar em pães diferenciados, com apelo saudável, e em porções reduzidas.

Na avaliação de Oliveira, da ABIP, as panificadoras devem investir na melhoria do mix e em processos de gestão eficientes para superar o período adverso. "A padaria pode ser mais eficiente e ter um produto mais atrativo sob pena de não superar a crise."

Moinhos

Se para as panificadoras o cenário é desafiador, para os moinhos a realidade não é diferente, com volume de vendas baixo e rentabilidade reduzida. "O primeiro semestre foi de preços absurdos, com trigo e câmbio com elevação de 40%, em média", afirma o presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo), Christian Saigh. "Se mantivermos os volumes do ano passado já está bom."

Ele explica que a última safra de trigo foi menor do que o esperado, o que exigiu aumento das importações com um câmbio mais elevado. Diante desse cenário, as indústrias tiveram que repassar o aumento de custos nos preços da farinha. "O resultado é a queda de vendas em qualquer comparação que se faça no primeiro semestre", salienta o presidente.

Saigh destaca que a greve dos caminhoneiros, em maio, agravou a situação, com indústrias paradas sem matéria-prima e falta de produtos nas padarias e no varejo, situação que se normalizou em julho.

"Isso fez com que o custo de produção aumentasse entre 18% e 25%, enquanto o repasse para o produto final foi de 2% a 8%", estima o embaixador Rubens Barbosa, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).

A entrada da nova safra de trigo no mercado, em setembro, que poderia dar um fôlego para as indústrias com o aumento de oferta, ainda gera preocupação. A falta de chuva deve causar uma redução de 20% na safra brasileira. "Se tudo der certo o Brasil vai produzir metade do que consome (cerca de 11 milhões de toneladas)", projeta Saigh.

Desta forma, aumenta a dependência da safra argentina de grãos, que deve se aproximar das 20 milhões de toneladas, ante as 17,5 milhões de toneladas no ano passado. "Em tese, isso significaria que os preços vão cair, mas não foi o que aconteceu porque a Argentina está negociando com mais mercados, como o norte da África e o sudeste asiático", avalia Saigh.

Nesse cenário, o que diferencia as empresas é a posição financeira. "Quem tem uma posição confortável não precisa queimar mercadoria para fazer os pagamentos e tem melhores condições de investir" Ele destaca que as empresas vão reduzir investimentos e direcionar para eficiência.

Fonte: DCI

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