SINDUSTRIGO NA MÍDIA: Moinhos veem trigo caro no curto prazo apesar da safra

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Os moinhos de trigo do país não veem perspectiva de queda para os preços do cereal neste ano. Com quebras de safra esperadas em importantes países produtores, além de redução do potencial de crescimento da safra brasileira, as indústrias terão de lidar com preços maiores, dizem representantes do segmento.

João Carlos Veríssimo, vicepresidente da Associação Brasileira das Indústrias do Trigo (Abitrigo), disse ontem que, além dos problemas previstos nas safras da Europa e dos EUA, há o risco de a China precisar comprar trigo no mercado global. "Se a China entrar comprando, pode distorcer o preço do mercado", disse, ontem, em entrevista coletiva para apresentar as demandas do segmento aos candidatos à Presidência.

Dois meses atrás, havia perspectiva de redução dos preços no período de colheita da safra brasileira, que se inicia em breve. "Agora, o preço está mais alto do que na última entrada de trigo [importado] no Brasil, em julho", afirmou. "E não há perspectiva de queda no curto prazo".

Mesmo os sinais de aumento da produção argentina não indicam uma redução dos preços, disse, aos jornalistas, Christian Saigh, presidente do Sindustrigo-SP, que representa os moinhos paulistas.

Ele observou que o preço atual do cereal argentino, às vésperas de uma safra que pode bater o recorde e atingir 20 milhões de toneladas no país, supera o valor registrado quando a Argentina colheu 15 milhões de toneladas. "Eles são competitivos no mundo inteiro. Eles arrumam destinos para vender o excedente", argumentou.

Segundo Saigh, como os preços domésticos do trigo estão balizados pelas cotações na bolsa de Chicago e ajustados pelo dólar, em disparada, "não vai ter refresco para a indústria brasileira [com trigo de] nenhuma origem".

Em um momento de pressão dos custos e com o consumo e produção estagnados no país nos últimos anos, os moinhos querem que a cadeia do trigo entre na agenda do próximo governo. Para isso, a Abitrigo começou a enviar aos presidenciáveis um documento com sugestões de diretrizes de políticas que podem incentivar a produção e o mercado do trigo no país.

Batizado de Política Nacional do Trigo, o documento reúne inicialmente diretrizes genéricas, abrigadas em sete eixos temáticos. Posteriormente, um detalhamento será discutido com o presidente eleito e a equipe de transição, e com o futuro ministro da Agricultura.

O objetivo é garantir a criação de uma política que incentive o crescimento da produção nacional de trigo no "médio e longo prazo", algo entre 15 e 20 anos, disse o embaixador Rubens Barbosa, presidente da Abitrigo. Segundo ele, faltam hoje políticas estratégicas para o desenvolvimento da cadeia do trigo, que em 2016 gerou um PIB de R$ 25,3 bilhões e, em 2017, empregou 350 mil pessoas.

Um dos pleitos do setor é o incentivo ao desenvolvimento de variedades de trigo mais demandadas pela indústria e o estímulo ao cultivo em outras regiões, além do Sul e Sudeste. Segundo Barbosa, há variedades desenvolvidas pela Embrapa para o norte do Cerrado que podem abrir uma nova fronteira de cultivo da cultura no país, regionalizando a produção.

O segmento também pede incentivos econômicos. Em um dos eixos sugeridos, a Abitrigo incluiu a demanda por incentivos fiscais à cadeia, apesar de a associação reconhecer que há candidatos que defendem a revisão dos estímulos dados ao setor privado nos últimos anos. Mudanças de ordem regulatória e para a desburocratização também constam do documento entregue aos candidatos.

Fonte: Valor Econômico

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