05/01/2017 - Apenas 20 produtos foram responsáveis por 50% da taxa de inflação do município de São Paulo no ano passado, conforme acompanhamento de preços da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). A liderança isolada ficou com água e esgoto, que pesaram 29,31% mais no bolso dos paulistanos, principalmente devido ao fim do bônus sobre as tarifas desses produtos. Se os custos de água e esgoto tivessem permanecido estáveis, a inflação acumulada teria sido de 6,09%, e não de 6,54%, como o registrado pela entidade. Mas 2016 se caracterizou também por uma forte pressão dos alimentos, e muitos desses produtos estiveram na lista das 20 maiores altas. Quebra de safras, recuperação de preços externos e, em alguns casos, escassez de produtos fizeram com que feijão, banana, laranja, açúcar e leite estivessem na lista das principais pressões da inflação em 2016.
DE VILÃO A SALVADOR Já na ponta inversa, o tomate, quase sempre o vilão da inflação, foi o item que mais ajudou a conter o avanço inflacionário entre os produtos agropecuários. O tomate fechou o ano com queda de 30%. Batata (30%) e cebola (42%) também engrossaram a lista dos produtos que seguraram a taxa de inflação. Os alimentos, com evolução de 7,54% em 2016, superaram a taxa geral de inflação, que inclui a evolução média de 463 itens. A taxa dos alimentos poderia ter sido maior, não fosse o freio das carnes. Preços já elevados de alguns dos produtos e renda menor dos consumidores permitiram avanço de apenas 0,7% nos valores das carnes bovinas em 2016. Nesse mesmo período, o preço da carne de suínos caiu 1,4%, enquanto o da de frango subiu 3,6%, segundo a Fipe. Alguns produtos dispararam de preços no ano passado. Um deles foi o feijão, devido à redução da oferta interna e à dificuldade de importações. Os pesquisadores da Fipe registraram uma evolução média de 36% no produto em 2016. Outro item com forte elevação foi o café. A quebra de safra do tipo conilon reduziu a oferta interna, puxando também os preços do arábica. O consumidor paulistano pagou, em média, 17,4% mais pelo café em pó no ano passado. PESO NO BOLSO O leite do tipo B subiu 19%, e toda a cadeia de derivados foi afetada pela evolução da matériaprima: leite em pó (24,5%); manteiga (22%) e queijo prato (22%). O iogurte, termômetro da mudança de classe nos últimos anos, ficou 20% mais caro. Os óleos vegetais, com a evolução dos preços das matériasprimas nos mercados externo e interno, aumentaram 13%, superando a taxa média de inflação. O açúcar também teve participação na alta da inflação. Os consumidores pagaram 26% mais pelo produto no ano passado. Essa alta ocorre devido ao aumento dos preços externos do açúcar, provocado pela oferta mundial de produto abaixo da demanda. A inflação média de São Paulo foi de 6,54% no ano passado e teve origem, ainda, nas pressões de despesas pessoais (7,3%), saúde (11,7%), vestuário (7%) e educação (9,8%). Habitação (4,7%) e transportes (5%) subiram menos do que a taxa média do período.
Volume Os dados são da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), que aponta um volume exportado de 87,2 mil toneladas de produto "in natura" em dezembro. Queda real A crise econômica, a inflação e o desemprego recorde limitaram o consumo de carne bovina e provocaram quedas nos preços reais de todos os elos da cadeia no ano passado, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Frango Já o preço do frango foi recorde, devido ao ajuste da oferta de aves no setor. O ano passado foi marcado, no entanto, por elevação dos custos, segundo analistas do Cepea. Suíno A suinocultura viveu um período de aceleração nas exportações, mas teve um mercado doméstico enfraquecido e de elevados custos na produção, principalmente devido ao preço do milho, conforme balanço do setor feito pelo Cepea nesta quartafeira (4).
Fonte: Folha de São Paulo