A conjuntura formada por perda de produtividade, redução na colheita e pressão nos preços certamente levará o produtor de trigo do Paraná a um novo corte nas áreas de plantio na próxima safra, a de 2018, disse ao Broadcast Agro o presidente da Câmara Setorial das Culturas de Inverno, Flávio Turra, durante o Congresso Internacional da Indústria de Trigo, em Campinas (SP).
Neste ano, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o maior Estado produtor da cultura no País já reduziu em 11,4% a semeadura, para 962,6 mil hectares, em relação à área plantada em 2016. A produtividade recuou 23,9% no mesmo intervalo, para 2,38 mil quilos por hectare. "Estamos com 80% da safra colhida e o Estado verá uma diminuição média de 1,2 milhão de toneladas na colheita ante a safra passada, para em torno de 2,3 milhões de hectares. Esses números estão desestimulando os produtores", explica Turra.
Segundo o executivo, que também é gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Sistema Ocepar), os agricultores do Estado passam por um momento de mudança no planejamento das safras e o cultivo de trigo vem perdendo espaço para o milho safrinha nas regiões em que é possível fazer o plantio do cereal, e para a cevada, pela simples necessidade de rotação de culturas no inverno. Ainda é cedo para mensurar o volume exato de áreas que deixarão de ser plantadas com trigo no ano que vem. Turra diz, porém, que "a menos que haja uma mudança muito significativa no cenário, é certo que o porcentual de plantio vai cair".
Fonte: Agência Estado