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Atrito diplomático entre Brasil e Argentina acende alerta no mercado

Só no ano passado, o Brasil importou mais de cinco milhões de toneladas de trigo da Argentina. Nossos vizinhos são o principal fornecedor da matéria-prima para o Brasil. O Repórter Brasil ouviu especialistas para saber quais os riscos que um atrito político entre os dois governos pode trazer para esse mercado gigante.


Na mesa do brasileiro, os produtos feitos com farinha estão presentes todos os dias. São pães, bolos, massas e salgados. O país consome cerca de 12 milhões de toneladas de farinha de trigo por ano, mas produz menos da metade do trigo necessário. O restante é importado, principalmente da Argentina.


Rubens Barbosa (presidente da Abitrigo): "Ele é localizado na região Sul, no Rio Grande do Sul e no Paraná. Não é em todo o país que dá o trigo. Agora, a Embrapa está fazendo um trabalho técnico para permitir sementes que possam ser plantadas fora dessa área que a gente chama de inverno — a área mais temperada —, no norte do Cerrado. Mas vai levar tempo para que o Brasil possa produzir trigo suficiente para atender à demanda interna."


A Argentina está entre os maiores produtores e exportadores de trigo do mundo. Cerca de 80% do trigo importado pelo Brasil vem de lá.


Elcio Bento (economista): "Nós estamos falando de uma interdependência que não é de agora, ela é histórica. Ao longo dos anos, em momentos em que a Argentina deixou de produzir, o Brasil teve que produzir mais, e isso leva tempo para recompor o abastecimento. E, por outro lado, em momentos em que o Brasil tinha mais trigo e não dependia tanto da Argentina, a Argentina se viu obrigada a reduzir sua produção, porque senão teria um excedente de trigo difícil de colocar no mercado internacional."


Entre os principais produtos importados da Argentina estão veículos e autopeças, trigo, laticínios, motores, frutas e nozes. Sozinho, o trigo representa quase 10% de tudo o que o Brasil compra dos argentinos.


A Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil. No ano passado, o comércio entre os dois países movimentou US$ 31 bilhões, uma alta de 13%. O saldo foi positivo para o Brasil em mais de US$ 5 bilhões.


Elcio Bento (economista): "São dois parceiros comerciais, duas populações grandes, que consomem muito, e estão dentro de um Mercosul que reduz tarifas. Então, mesmo neste momento de divergência das conduções políticas de ambos os lados, é impossível a gente acreditar ou perceber, dentro de uma questão de transação comercial, de reflexos sobre a economia, uma Argentina não comercializando com o Brasil e vice-versa. São dois países interdependentes."


Fonte: TV Brasil EBC


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