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Clima e oferta global sustentam trigo em Chicago e influenciam mercado brasileiro

Os preços do trigo registraram recuperação moderada no mercado brasileiro durante abril, sustentados pela menor disponibilidade do cereal no período de entressafra e pelo suporte do mercado internacional. De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a valorização do real frente ao dólar, porém, limitou repasses mais expressivos aos preços internos.

No Paraná, principal estado produtor do país, o trigo encerrou abril cotado a R$ 66 por saca de 60 quilos. Apesar da recuperação observada ao longo do mês, os valores permaneceram abaixo dos registrados no mesmo período de 2025.


Com a oferta doméstica restrita e baixo volume remanescente para comercialização, a formação dos preços passou a ser fortemente influenciada pela paridade de importação. Nesse cenário, o trigo adquirido no mercado externo tornou-se a principal referência para a indústria moageira.


A valorização do real atuou como fator de contenção para os preços internos, reduzindo parte do impacto positivo gerado pelo cenário internacional e pela menor disponibilidade do cereal no mercado brasileiro.


No exterior, as cotações seguiram voláteis, mas com viés de alta ao longo de abril. O primeiro vencimento do trigo soft na Bolsa de Chicago (CBOT) encerrou o dia 8 de maio cotado a US$ 6,07 por bushel, patamar semelhante ao registrado no fim de março e 18% superior ao observado há um ano.

As preocupações com a oferta global contribuíram para a sustentação dos preços. Problemas climáticos em importantes regiões produtoras, como Austrália, China e áreas do Hemisfério Norte, aumentaram a percepção de risco para a produção mundial.


Nos Estados Unidos, o desempenho abaixo do esperado das lavouras de trigo de inverno e os atrasos no plantio do trigo de primavera também reforçaram a sustentação das cotações, mantendo o mercado atento a possíveis revisões nas estimativas de produção.


Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, a combinação entre um ambiente internacional mais ajustado e uma demanda externa mais ativa contribuiu para a valorização recente das bolsas. No Brasil, esse movimento elevou as paridades de importação e influenciou a formação dos preços domésticos, embora o impacto final tenha sido condicionado pelo comportamento do câmbio e pela concorrência do trigo importado.


Fonte: O Presente Rural


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