O trigo liderou a alta dos grãos negociados na bolsa de Chicago e fechou a sexta-feira (6/3) com preços em forte alta. Os contratos com entrega para maio subiram 5,65%, a US$ 6,1675 o bushel, o maior valor desde fevereiro de 2025, segundo o Valor Data.
Em boletim, Élcio Bento, analista da Safras & Mercado, destaca que uma soma de fatores ajuda a entender a elevação do trigo em Chicago.
A primeira preocupação se dá com o clima, especialmente nas regiões produtoras americanas de trigo de inverno conhecidas como as Grandes Planícies. Segundo Bento, o déficit hídrico em fases sensíveis do desenvolvimento da cultura aumentam o prêmio de risco embutido nos contratos futuros do cereal.
“Mesmo sem confirmação de perdas, a possibilidade de redução de produtividade já é suficiente para estimular movimentos de proteção por parte de compradores e fundos. Ao mesmo tempo, eventos climáticos adversos em outras regiões produtoras, como Europa e Mar Negro, reforçam as preocupações com a oferta global”, destacou o analista.
Ainda de acordo com ele, chama a atenção dos investidores a notícia de que a Rússia – maior exportador de trigo do mundo – estaria fornecendo inteligência ao Irã sobre a localização de ativos militares dos Estados Unidos no Oriente Médio, incluindo posições de navios e aeronaves, o que poderia auxiliar Teerã a selecionar alvos em eventuais ataques.
“Embora o envolvimento russo ainda não esteja totalmente confirmado, a proximidade do maior exportador de trigo ao conflito no Oriente Médio, gera nervosismo no mercado do cereal. Ele costuma antecipar esses riscos, incorporando prêmios antes mesmo de alterações concretas nos embarques”, pontuou Bento.
Por fim, o analista da Safras também comenta a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia, dois importantes fornecedores globais de trigo, e ainda ajustes técnicos como fatores que favorecem a formação de preços mais altos para o cereal no cenário externo.
Soja
A soja também registrou preços mais altos em Chicago, impactada por fatores geopolíticos e macroeconômicos. Os contratos com vencimento em maio fecharam em alta de 1,84%, a US$ 12,0075 o bushel. Acima dos US$ 12 o bushel, a soja chegou atingiu hoje o maior valor desde maio de 2024.
Segundo análise da Royal Rural, como o petróleo ainda segue valorizado, a soja se mantém em patamares elevados. O fóssil mais caro costuma puxar a alta dos preços dos óleos vegetais, e fez o óleo de soja subir mais de 3% hoje, ajudando no fechamento do grão.
No campo da macroeconomia, a consultoria disse que os dados de empregos nos EUA divulgados hoje indicam que o corte de juros no país pode acontecer antes do esperado.
“Normalmente, quando caem os juros, o preço sobe Chicago, porque enfraquece o dólar e torna os produtos americanos mais competitivos”, disse a Royal, em nota.
Milho
O milho fechou a sessão na bolsa de Chicago com preços em alta. Os contratos para maio subiram 1,54%, para US$ 4,6050 o bushel.
Fonte: Globo Rural