02/01/2017 - Sem referência A ausência de vendedores no Brasil e o real mais forte que o dólar americano determinaram a valorização do café arábica na sextafeira na bolsa de Nova York. Com isso, os contratos para maio encerraram o ano passado a US$ 1,3940 a librapeso, alta de 165 pontos em relação à véspera. Thiago Cazarini, da Cazarini Consultoria, observa que os ganhos também foram influenciados por um movimento de ajustes de posições realizado por fundos de investimentos, depois de os papeis terem descido ao menor patamar em seis meses na quartafeira. Problemas com a oferta brasileira neste ano, contudo, tendem a limitar as perdas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos do arábica fechou 2016 a R$ 485,67, queda de 9,29% em dezembro. Oferta crescente O aumento da oferta de cacau nos portos da Costa do Marfim foi novamente determinante para que os contratos futuros da amêndoa caíssem na bolsa de Nova York na sextafeira. No último pregão do ano passado, os papéis com vencimento em maio fecharam a US$ 2.113 por tonelada, com recuou de US$ 46 em relação à véspera. Conforme o analista Thomas Hartmann, da TH Consultoria, as exportações de cacau na Costa do Marfim, maior produtor mundial da amêndoa, já superaram em 8% as da safra passada. "Isso estimulou as vendas dos fundos especulativos, mas as perdas foram limitadas". Nos mercados de Ilhéus e Itabuna, na Bahia, a arroba da amêndoa encerrou 2016 negociada, em média, a R$ 118, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau Vendedores retraídos Os produtores americanos continuam a resistir em vender o milho colhido na safra 2016/17 à espera de melhores preços, e nos dois últimos pregões do ano passado essa estratégia deu resultados. Na sextafeira, os contratos com vencimento em maio subiram 1,75 centavos de dólar por bushel e encerraram 2016 cotados a US$ 3,5750. Mas, como nota o analista Jack Scoville, da Price Futures, o mercado sabe que os EUA têm muito milho e que essa produção terá quer ser vendida, mais cedo ou mais. "Vamos assistir nos próximos meses a uma mudança de demanda para a América do Sul, e o produtor americano terá que vender ao mercado interno seu milho", diz. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa caiu 0,88%, para R$ 38,17 por saca de 60 quilos. Impulso do dólar A queda do dólar ante várias divisas pelo segundo dia consecutivo impulsionou os preços do trigo na sextafeira bolsa de Chicago. Com isso, os contratos para maio subiram 2,75 centavos de dólar por bushel e encerraram 2016 a US$ 4,2050.
Segundo analistas, o cereal de alta qualidade dos EUA está atraindo demanda porque ficou mais barato que o produto russo e europeu. O Egito, por exemplo, colocou a opção de compra do cereal dos EUA em seu tradicional leilão na quartafeira, o que não ocorria há semanas. "O câmbio está fazendo o trigo americano se tornar mais competitivo", disse Mark Schultz, da Northstar Commodity, em Minneapolis. No mercado interno, a tonelada do trigo saiu, em média, por R$ 626,51 no Paraná, segundo o Cepea/Esalq.
Fonte: Valor Econômico