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Como a instabilidade no Irã pode afetar agronegócio brasileiro

EUA ameaçam sobretaxar quem fizer negócios com o país#

Com a nova crise política no Irã, em meio a ondas protestos contra o regime dos aiatolás, o Brasil monitora possíveis desdobramentos comerciais do conflito. Isso porque o presidente americano Donald Trump anunciou que irá sobretaxar em até 25% produtos oriundos de países que façam negócios com os iranianos. A sanção deve vir através de nova ordem executiva, ainda a ser assinada pelo mandatário republicano. A tensão entre Irã e Estados Unidos remonta ao final da década de 1970, quando os países romperam relações diplomáticas em meio a hostilidades mútuas, tendo como pano de fundo a alta do petróleo e a revolução islâmica que depôs a monarquia local.


O Brasil pode ser afetado pela medida em razão da relação comercial com o país do Oriente Médio. Em 2025, empresas brasileiras importaram US$ 84,5 milhões do Irã, principalmente ureia, pistache e uvas secas. Já as exportações somaram US$ 2,9 bilhões, com destaque para milho, soja e açúcar. Apesar dos valores envolvidos, o Irã não está entre os 20 principais parceiros comerciais do Brasil, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.


No entanto, cabe lembrar que a ureia iraniana é componente fundamental para a fabricação de fertilizantes químicos de uso agrícola, dos quais o Brasil possui notória dependência, importando compostos também de países como Rússia, China e Canadá. Ademais, as transações agropecuárias entre Brasil e Irã refletem a dinâmica do comércio exterior. A demanda iraniana por milho e soja atua como um lastro importante para os preços dessas commodities no mercado internacional, influenciando diretamente as cotações nas bolsas internacionais especializadas.


Desafio de equilibrar parcerias no tabuleiro da geopolítica#

O Agro está no centro dessa relação, e a manutenção de um superávit em parcerias assim contribui para a solidez da balança comercial brasileira, um fator que pode influenciar a taxa de câmbio do real frente ao dólar, algo crucial em tempos de forte pressão geopolítica sobre acordos e transações, sobretudo no setor agropecuário. Cabe enfatizar que o Irã está numa região determinante na logística de rotas navais, o que pode encarecer o frete, como já aconteceu em 2023 e 2024.


Para além da questão econômica, a relação com o Irã pode reabrir um foco de instabilidade com os americanos, após o tarifaço do ano passado. A crise afetou em cheio as exportações brasileiras, em especial commodities como carne, café e frutas. Mesmo com a retirada da sobretaxa de 40%, que demandou esforços diplomáticos e políticos sem precedentes, alguns itens seguem onerados ao entrar nos Estados Unidos. E ainda houve a manutenção da tarifa de 10% anunciada em abril de 2025.

Com os iranianos também integrando os BRICS, bloco que ainda conta com Brasil, China e Rússia , entre outros, e desagrada Donald Trump por se contrapor aos EUA em termos de propostas comerciais, o desafio é equilibrar as parcerias sem comprometer a tradição nacional de neutralidade diplomática. Essa capacidade tem sido posta à prova nos últimos anos, com conflitos eclodindo em áreas de interesse, a exemplo da Guerra entre Rússia e Ucrânia, além da Faixa de Gaza e da recente deposição de Nicolás Maduro, na Venezuela.


Na condição de potência exportadora da agropecuária, o Brasil deve se manifestar com moderação e tempestividade, para seguir construindo pontes e ampliando o diálogo, mesmo nos cenários mais difíceis. Como agora, muitas vezes os produtores e empresários complementam essa busca de soluções e ajudam a garantir a continuidade das parcerias tão importantes para o setor no Brasil. Foi essa soma de esforços que possibilitou consensos nas crises recentes, conforme o Portal SNA cobriu.


Fonte: Sociedade Nacional da Agricultura


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