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Confiança no Brasil melhorou, mas país precisa implementar reformas

O FMI advertiu que o Brasil continua em recessão, mas a atividade econômica parece estar saindo do fundo do poço. No relatório Panorama Econômico Mundial, o Fundo estimou que o país sofrerá queda de 3,3% do Produto Interno Brito (PIB) neste ano, e deverá crescer 0,5% em 2017. Os percentuais são os mesmos da projeção de julho e do relatório específico sobre o país divulgado na semana passada.

O Fundo diz que houve uma retomada de confiança no Brasil, mas alerta que, para o crescimento se tornar sustentável no médio prazo, o país terá que atacar gargalos que impedem o ingresso de novos investimentos, com um sistema tributário menos complicado e a retirada de barreiras ao comércio. E, no curto prazo, efetivar as reformas propostas pelo governo.

"Vimos uma retomada da confiança no Brasil. Os indicadores de atividade econômica estão se movendo na direção certa" disse Oya Celasun, chefe da Divisão de Estudos sobre a Economia Mundial do FMI, ao falar especificamente do Brasil. "Esse é um sinal bem-vindo. Mas teremos que ver adiante."

Celasun estima que, se as reformas no campo fiscal forem implementadas e o país atuar no combate aos gargalos aos investimentos, poderá obter um crescimento de 2% a 2,5% por volta de 2021.

O Brasil também é mencionado na parte do relatório que trata da queda nos preços das commodities. De modo geral, o FMI verificou um aumento de 7% nos preços das commodities agrícolas. Essa recuperação ocorreu em vários produtos, com exceção de milho e trigo. No caso do Brasil, o Fundo cita que a agricultura está se recuperando de uma seca prolongada. Ainda no comércio, o FMI concluiu que o Brasil "experimentou um declínio significativo na participação dos bens manufaturados duráveis em seus gastos, o que deprimiu o crescimento das importações".

Quanto à política monetária, o FMI destacou que os pressupostos "estão consistentes com a convergência gradual da inflação para o centro da meta".

A projeção do FMI para a inflação é de alta nos preços aos consumidores de 7,2% ao fim de 2016. O percentual é semelhante ao previsto pelos analistas ouvidos pelo Banco Central, que indicou 7,23% na última versão do boletim Focus, divulgada na segunda-feira. Para o fim de 2017, o FMI prevê inflação de preços ao consumidor em 5%.

Apesar das perspectivas de melhorias na atividade econômica, o FMI colocou o Brasil num grupo de países que puxam o crescimento mundial para baixo. "O aumento nas projeções de crescimento global de 2017 para 3,4% depende crucialmente da elevação do crescimento em economias emergentes e de países em desenvolvimento, onde o declínio das pressões de queda na atividade em países em recessão em 2016, como o Brasil, a Nigéria e a Rússia, deve mais do que compensar a desaceleração do crescimento na China", diz o FMI.

Ao todo, a projeção agregada das economias do Brasil, da Nigéria, da Rússia, da África do Sul e da Venezuela está estimada em -2,3%, em 2016.

Fonte: Valor Econômico


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