A recomendação para agentes da cadeia do trigo é reforçar estratégias de proteção no mercado futuro diante da recente valorização das cotações internacionais. Segundo análise da TF Agroeconômica, quem realizou compras de contratos nas últimas semanas para proteger vendas de farinha previstas para o primeiro semestre de 2026 já começa a recuperar parte relevante dos custos da matéria-prima.
De acordo com a consultoria, a estratégia já representa recuperação aproximada de R$ 135,84 por tonelada. Em um exemplo citado na análise, um trigo adquirido a R$ 1.250 por tonelada entregue ao moinho passa a ter custo efetivo de cerca de R$ 1.114,16 por tonelada CIF após a operação de hedge. Para moinhos com moagem média de 3.500 toneladas mensais, isso já representa retorno próximo de R$ 475 mil, com potencial anual superior a R$ 4 milhões caso a tendência de alta se mantenha.
No cenário internacional, os preços do trigo foram impulsionados por compras de fundos de investimento, que teriam adquirido cerca de 12 mil contratos em Chicago, marcando a quarta semana consecutiva de valorização. As tensões geopolíticas no Oriente Médio também ampliaram a busca por proteção nos mercados, em uma região que concentra grande parte da demanda global pelo cereal.
Questões climáticas também sustentam o movimento. Nos Estados Unidos, o percentual de áreas de trigo de inverno sob algum nível de seca subiu para 56%, bem acima dos 24% registrados no mesmo período do ano passado. Na Índia, o avanço de temperaturas elevadas e déficit de chuvas pode afetar produtividade e qualidade da safra.
No Brasil, a disponibilidade limitada de trigo no Sul reforça a pressão sobre o mercado, com estoques considerados insuficientes para atender plenamente a demanda dos moinhos até a próxima safra.
Fonte: Agrolink