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Dieta sem glúten para pessoas sem doença celíaca pode ser prejudicial

RIO ­ Guiadas por noções equivocadas, relatos de celebridades ou simples modismo, nos últimos anos mais e mais pessoas ao redor do mundo passaram a restringir o consumo de glúten na sua alimentação. A proteína, presente em cereais da família das gramíneas (Poaceae), como trigo, centeio e cevada, de fato é um perigo para quem sofre da chamada doença celíaca, provocando irritação no intestino que eleva os riscos de doenças cardíacas e câncer na região. Mas quem não tem problemas com o consumo de glúten na verdade pode estar fazendo mal ao próprio coração ao evitá­lo, mostra estudo publicado esta semana no periódico científico "BMJ". Segundo os pesquisadores das universidades de Harvard e Colúmbia, EUA, isso acontece principalmente porque estas pessoas deixam de comer farinhas integrais, cuja ingestão já foi associada a um menor risco cardíaco e outras doenças, como o próprio câncer intestinal.

No estudos, os cientistas analisaram dados de dois
grandes levantamentos sobre os hábitos de vida e condições físicas de mais de 172 mil profissionais de saúde americanos, homens e mulheres, realizados entre1986 e 2012, dos quais cerca de 110 mil deles passaram dos critérios de exclusão da pesquisa. Com base nos questionários sobre alimentação que eles responderam periodicamente no período de acompanhamento dos levantamentos, os participantes foram divididos em quintos relativos ao seu consumo de glúten, isto é, em cinco grupos separados entre os que ingeriam de mais a menos da proteína. Esta informação foi então cruzada com a ocorrência de infartos, fatais ou não, em cada grupo. Os resultados apontaram que enquanto no conjunto que menos consumia glúten houve uma incidência de 352 episódios para cada 100 mil pessoas­ano, no grupo que mais ingeria a proteína ela ficou em 277 a cada 100 mil pessoas­ano. ­

O glúten é claramente prejudicial para as pessoas com doença celíaca, mas livros de dieta populares, baseados em evidências anedotárias e circunstanciais, promoveram a noção de que uma dieta de baixo glúten é saudável para todo mundo - critica Benjamin Lebwohl, diretor de pesquisas clínicas do Centro de Doença Celíaca da Universidade de Colúmbia e líder do estudo. ­

Nossos achados, porém, mostram que a restrição ao glúten não traz qualquer benefício, pelo menos do ponto de vista da saúde cardíaca, para pessoas sem doença celíaca. Na verdade, estas pessoas podem sofrer prejuízos se seguirem uma dieta de baixo glúten que seja particularmente pobre em grãos integrais, já que estes grãos parecem ter um efeito protetor contra doenças do coração.

Fonte: O globo


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