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Frete de grãos deve subir 20% em fevereiro, mas abaixo do pico de 2025

Os custos com fretes para movimentação de grãos no Brasil devem crescer em torno de 20% neste mês, atingindo o pico de preços do ano, porém inferior ao valor máximo observado na mesma época do ano passado, disse em evento em Piracicaba (SP) o pesquisador Fernando Bastiani, do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), ligado ao Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq/USP.


Diferentemente do cenário observado no início do ano passado, em que a colheita de soja Mato Grosso estava atrasada, enquanto outros Estados produtores estavam adiantados, a retirada do grão do campo em Mato Grosso está acelerada em 2026, o que deve sustentar as altas previstas pela Esalq-log. A chegada de soja colhida em outros Estados, nas próximas semanas, deve manter os preços em níveis elevados por um período mais longo do que em 2025, quando boa parte da colheita nacional foi retirada mais cedo das lavouras.

A perspectiva de fretes elevados também se sustenta pelo line-up de navios “bastante alto” nos próximos meses, especialmente no porto de Santos (SP), segundo Bastiani.


“A gente sabe que o Brasil não tem capacidade para armazenar toda a sua safra, então precisa escoar parte da produção no começo da colheita, pagando frete mais alto”, afirmou.


O país possui, atualmente, capacidade estática para armazenar 70% da sua produção, realidade bem diferente da dos Estados Unidos, que possui estrutura para estocar o equivalente a 140% da sua produção, ou seja, mais do que produz.

Açúcar

Para os custos de frete de açúcar, a Esalq-Log trabalha com perspectiva de alta a partir deste mês até março, quando o produto compete com grãos para chegar até os portos. Mas a alta deve ser menos acentuada do que no início de 2025.


Esse cenário ocorre porque a forte queda dos preços internacionais do açúcar no ano passado, decorrente da grande oferta brasileira e do superávit dos estoques globais, deve levar usinas brasileiras a aumentarem o porcentual de cana-de-açúcar destinado à produção de etanol, reduzindo a pressão por frete para transportar o adoçante.


Fertilizantes

No caso dos fertilizantes, Bastiani enxerga um cenário “desafiador” para o setor em 2026. Uma das razões, de acordo com o pesquisador da Esalq-log, é a atual relação de troca entre soja e o insumo, uma das piores dos últimos três anos, com preços do grão “derretendo” durante a colheita e valores do insumo ainda em níveis elevados.


“Isso pode impactar a demanda em 2026 e prejudicar os níveis de fertilidade em 2026/27”, afirmou Bastiani.


Contudo, o aumento recente do piso do frete rodoviário promovido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), da ordem de 4%, pode ser percebido especialmente no fim do ano, período de menor movimentação de grãos em que os custos logísticos costumam cair, levando ao acionamento do piso. Como o setor de fertilizantes já costuma pagar menos para transportar o insumo em caminhões de grãos que retornam dos portos às regiões consumidoras, pode acabar tendo de pagar pelo piso mais alto, conforme Bastiani.


Multas em nível recorde elevam custo

Outro evento tem levado a incrementos nos fretes brasileiros: a implementação pela ANTT, a partir do fim do ano passado, da fiscalização eletrônica do pagamento do piso do frete, alertou o coordenador do Esalq-Log, Thiago Péra.


Segundo Péra, transportadores passaram a ter de declarar, de forma eletrônica, o valor do frete praticado. Nos casos em que o preço fica abaixo do piso estabelecido conforme o tipo de veículo, o sistema automaticamente gera multa pelo não cumprimento da regra. “Observamos que sim houve um aumento do frete decorrente da fiscalização”, disse Péra.


Dados apresentados pela Esalq-Log no evento mostram que o número de autos de infração atingiram recorde no ano passado, superando 68 mil autos, sem comparação com o registrado na última década. O maior número registrado, até então, havia sido em torno de 20 mil autos, em 2019. Somente em 2026, as autuações já passam de 35 mil.


Fonte: Globo Rural


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