Após pressão da bancada ruralista do Congresso e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o governo resolveu negociar a inclusão de R$ 1,156 bilhão na proposta de Orçamento 2017, para viabilizar a realização do Censo Agropecuário no próximo ano - o último censo feito no Brasil data de 2006.
O levantamento, vital para traçar o perfil dos produtores rurais brasileiros, além do tamanho das propriedades rurais e um diagnóstico completo da realidade socioeconômica do meio rural no país, vem sofrendo atrasos nos últimos anos em função do ajuste fiscal nas contas públicas federais.
Nos últimos dias, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, foi cobrado por deputados e senadores da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que pedem que o governo reserve recursos no Orçamento para que o censo enfim comece a ser executado em 2017 e divulgado em 2018.
A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado já aprovou uma emenda à Proposta de Lei Orçamentária Anual para 2017, prevendo esse valor. Os parlamentares ruralistas, no entanto, ainda não têm certeza se a Comissão Mista de Orçamento (CMO) vai acatar- ou muito menos se o Executivo vai sancionar ou vetar essa emenda.
Padilha até conversou com o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, nos últimos dias, e cobrou uma solução para o caso. O Planejamento, contudo, já havia sinalizado em ocasiões anteriores não dispor de espaço financeiro no Orçamento 2017, que ainda precisa ser discutido e votado na CMO e no plenário do Congresso.
Por outro lado, o IBGE aposta na grande mobilização que vem promovendo junto ao governo e à bancada do agronegócio para obter esses recursos e tentar tirar o censo do papel. O próprio presidente do IBGE, Paulo Rabello de Castro, já fez várias viagens a Brasília, onde cobrou de diversos ministros e pediu apoio do governo para inserir no orçamento do ano que vem os recursos, que serviriam para a contratação de 82 mil pessoas, custos de treinamento e equipamentos.
"O ministro Padilha está sensível a essa pauta e se comprometeu a garantir esses recursos, nem que a gente tenha que dividi-los um pouco em 2017 e o restante em 2018", afirmou o deputado Marcos Montes (PSD-MG), líder da bancada ruralista.
Fonte: Valor Econômico.