A Hedgepoint Global Markets projeta um novo ciclo de expansão na oferta global de grãos em 2025/26, com crescimento na produção de soja e milho nas principais origens exportadoras.
Para 2026/27, a tendência é de aumento adicional na oferta de soja, enquanto o milho pode enfrentar redução, diante de incertezas climáticas e possíveis ajustes de área.
No campo climático, o enfraquecimento do La Niña abre espaço para um período de neutralidade entre março e agosto, fase decisiva para o plantio e o desenvolvimento da safra norte-americana. "Esse ambiente tende a reduzir riscos climáticos mais extremos e pode favorecer o potencial produtivo nos Estados Unidos", informou a consultoria.
A partir de agosto e setembro, os modelos indicam a formação de um novo El Niño, com possíveis impactos sobre a safra 2026/27 na América do Sul. Dependendo da intensidade, o fenômeno pode alterar o regime de chuvas em importantes regiões produtoras, influenciando tanto a produtividade da soja quanto do milho.
A estimativa da Hedgepoint aponta para uma produção de 179,5 milhões de toneladas de soja brasileira. Já o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) projeta 180 milhões de toneladas, reforçando a expectativa de um novo recorde.
Apesar do cenário construtivo, há pontos de atenção. A baixa umidade registrada no Rio Grande do Sul entre o fim de janeiro e o início de fevereiro ainda pode resultar em cortes pontuais na produção.
A colheita brasileira começou em ritmo satisfatório, mas perdeu força em razão das chuvas. Além disso, atrasos no plantio reduziram o ritmo dos trabalhos e podem comprometer a janela ideal do milho segunda safra.
O plantio do milho está atrasado em relação à média histórica e ao ano passado, reflexo direto da colheita mais lenta da soja. Caso os atrasos persistam, parte das áreas pode ficar fora da janela considerada ideal, o que abre espaço para uma eventual redução da área plantada frente às estimativas atuais.
No lado da demanda, a China deve novamente exercer papel decisivo para o equilíbrio global, tanto na soja quanto no milho. O ritmo das importações chinesas tende a influenciar preços internacionais e a competitividade entre as principais origens exportadoras.
Além disso, os conflitos geopolíticos seguem no radar. Tensões internacionais têm potencial para alterar fluxos de comércio, impactar o câmbio e modificar a competitividade global, adicionando volatilidade a um mercado que já depende fortemente do clima e das decisões de plantio.
Fonte: CNN