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Importação de trigo deve ser recorde em 2026

O Brasil é historicamente dependente da importação de trigo e neste ano terá de


recorrer ainda mais ao cereal do exterior. Uma das principais razões é que a


produção nacional deve ter forte queda. O resultado é que o país precisará importar


o maior volume de trigo de sua história, de acordo com especialistas.


A consultoria Safras & Mercado estima importação de 8,2 milhões de toneladas no


ciclo 2026/27, superando o recorde de 7,1 milhões de toneladas na temporada


2006/07. A TF Consultoria Agroeconômica também prevê importação recorde, mas


em um nível menor, estimado entre 6,7 milhões e 8 milhões de toneladas.


Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira


deve recuar 16% na atual temporada em relação à safra anterior, para 6,6 milhões


de toneladas. Bem abaixo da demanda estimada em 13,305 milhões de toneladas


de trigo destinadas à moagem.


A combinação entre menor oferta interna e demanda aquecida amplia a


dependência do trigo estrangeiro. “O Brasil é estruturalmente um importador de


trigo”, afirma o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento. E, “se produzimos menos,


precisamos importar mais”, acrescenta.


O recuo na produção é resultado de uma combinação de fatores, como problemas


climáticos, custos elevados e desestímulo ao produtor. “O setor agrícola está


endividado, e o trigo perdeu competitividade com a queda dos preços


internacionais, o que desestimula o plantio”, afirma Bento.


Em 2025, os contratos futuros de trigo recuaram na bolsa de Chicago durante boa


arte do ano. Em 2026, há um movimento de recuperação, com alta de quase 19%,


segundo o Valor Data. Na avaliação de Eduardo Bulgarelli, diretor de trading da Bunge, o aumento das


importações também segue uma lógica de mercado. “O aumento das importações é


um movimento natural, especialmente na entressafra, quando a disponibilidade


doméstica é mais restrita. 


Segundo Bulgarelli, os custos de produção contribuem para o cenário de menor


produção. “O aumento dos custos, especialmente de fertilizantes, tende a pressionar


as margens do produtor, o que pode levar à redução de área plantada e menor


investimento em tecnologia. Isso pode impactar tanto o volume quanto a qualidade


do trigo produzido no Brasil, reforçando a dependência estrutural de importações”,


acrescenta.


A capacidade das empresas moageiras de estocar trigo também é historicamente


limitada. “Os moinhos não têm grandes estoques. Trabalham com volumes para um


mês, então precisam importar continuamente”, explica o presidente da Associação


Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) Rubens Barbosa.


A Argentina segue como principal origem do trigo importado pelo Brasil, favorecida


pela proximidade geográfica, pelo fato de fazer parte do Mercosul - o que significa


isenção de imposto - e pelos custos logísticos mais baixos. “A Argentina é a grande


fornecedora de trigo do Brasil e só deixaria de ser em situações muito específicas”,


afirma Bento.


Fonte: Valor Econômico


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