As importações brasileiras de trigo podem se aproximar de 9 milhões de toneladas em 2026, superando a projeção inicial de 7,5 milhões de toneladas e também a média histórica, que se situa entre 5,5 milhões e 6 milhões de toneladas. A estimativa foi apresentada nesta quinta-feira (24) pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Daniel Kümmel, durante o 11º Encontro da Cadeia Produtiva do Trigo de São Paulo, promovido pelo Sindicato da Indústria do Trigo do Estado de São Paulo (Sindustrigo), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
De acordo com Kümmel, a produção nacional do cereal está estimada em torno de 5,7 milhões de toneladas, mas perdas provocadas pelo clima comprometeram parte relevante da safra. “Para a moagem, precisamos considerar quanto estará efetivamente disponível, onde estará localizado e quanto atenderá às especificações de qualidade exigidas pela indústria”, disse o executivo.
Segundo Kümmel, no Estado de São Paulo, a necessidade de recorrer ao mercado externo também deve superar as projeções iniciais, lembrando que o trigo paulista e o importado se complementam para suprir a capacidade de moagem e o mercado consumidor do Estado. “O Estado precisa do trigo produzido aqui pela qualidade, pela proximidade dos moinhos, pela importância da cadeia produtiva paulista. Mas o momento agora, diante da capacidade de moagem e o tamanho do mercado consumidor que São Paulo é, também depende de forma estrutural do trigo importado”, avaliou.
Em relação aos fornecedores externos, Kümmel afirmou que Argentina e Paraguai seguem como origens fundamentais. A Rússia também pode contribuir, mas sua participação permanece limitada por condições sanitárias estabelecidas pelo Ministério da Agricultura, que restringem os volumes e as regiões que podem receber a carga.
O aumento da demanda brasileira por importações em uma janela concentrada ocorre em meio a conflitos geopolíticos, restrições logísticas, maior exposição a custos de fretes e seguros, volatilidade cambial e pressão sobre os preços do diesel. Diante desse quadro, o executivo afirmou que o mercado deve operar com disponibilidade mais ajustada em busca de um novo ponto de equilíbrio.
Fonte: Broadcast