O mercado de trigo apresentou movimentações distintas nos mercados internacionais e no cenário doméstico, com influência direta de fatores geopolíticos, ajustes técnicos e competitividade entre origens. Segundo análise da TF Agroeconômica, os contratos negociados nas bolsas americanas encerraram o pregão desta quarta-feira em alta, interrompendo a sequência de perdas observada no início da semana.
Em Chicago, o trigo brando registrou valorização moderada nos contratos de março e maio, enquanto o trigo duro de Kansas e o trigo de primavera de Minneapolis também fecharam o dia em campo positivo. O movimento refletiu compras de oportunidade após o impacto do relatório WASDE, além da reprecificação dos riscos associados à guerra no Mar Negro. O mercado passou a considerar que a mediação para um possível fim do conflito deixou de ser prioridade no cenário internacional, o que sustenta prêmios de risco. Na Europa, porém, o trigo para moagem em Paris encerrou em queda, indicando ajustes regionais distintos.
No comércio global, a competitividade do trigo argentino ganhou destaque, com preços até US$ 15 inferiores aos do produto francês, garantindo vendas para destinos tradicionais como Marrocos e China. Ao mesmo tempo, o trigo europeu recuperou ritmo de exportações após um início lento do ano comercial, enquanto o produto americano perdeu espaço nesses mercados.
No Rio Grande do Sul, o mercado segue pressionado pela fraca demanda interna e limitações da exportação, com moinhos relatando interrupções na moagem. O trigo argentino tornou-se mais competitivo que o paranaense, embora ainda fique atrás do paraguaio em preço e qualidade. Em Santa Catarina, o mercado permanece travado, com negócios pontuais e manutenção da competitividade do trigo gaúcho. No Paraná, as negociações avançam lentamente, com moinhos focados em entregas futuras e forte presença do trigo paraguaio, especialmente nas regiões de maior concentração de moagem.
Fonte: Agrolink