O mercado brasileiro de trigo encerra a semana com negociações lentas e pontuais em importantes praças do Sul e Sudeste, em um ambiente marcado pela busca dos moinhos por cobertura futura, custos logísticos elevados e menor disposição de venda por parte dos produtores. A análise consta no Boletim Diário de Trigo da TF Agroeconômica.
No Rio Grande do Sul, os negócios seguem pontuais, mas com compradores tentando se abastecer para os próximos meses. Os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF, dependendo do prazo de entrega, com indicações mais firmes para maio. A leitura do mercado é de que os menores níveis de preços dificilmente devem retornar, especialmente diante da escassez de trigo de qualidade e dos problemas observados na safra argentina. Lotes de melhor padrão ainda disponíveis no estado tendem, portanto, a encontrar maior valorização. No campo, o preço da pedra ao produtor subiu para R$ 57,00 por saca em Panambi.
Santa Catarina: trigo gaúcho ganha espaço e mercado local segue ofertado
Em Santa Catarina, a entrada de trigo gaúcho segue relevante, mas o produto local também aparece mais ofertado. O mercado catarinense continua se abastecendo de trigo do Rio Grande do Sul ao redor de R$ 1.200 por tonelada, acrescido de frete e ICMS, enquanto o trigo do próprio estado gira ao redor de R$ 1.300 CIF, ainda com menor volume de oferta.
ATF Agroeconômica aponta negócios com trigo gaúcho em torno de R$ 1.120/t mais frete, que subiu para cerca de R$ 196/t, levando o custo final para algo entre R$ 1.310 e R$ 1.315/t CIF. Também houve oferta de trigo catarinense próxima de R$ 1.300/t CIF.
Diante da alta dos custos, especialmente do frete, um moinho do leste do estado relatou reajuste médio de cerca de 3% nos preços das farinhas, movimento que vem sendo aceito pelo mercado. Nos preços de balcão, os valores permaneceram em R$ 59,00/saca em Canoinhas, R$ 60,00 em Chapecó, R$ 62,00 em Rio do Sul, recuaram para R$ 61,50 em Joaçaba, ficaram em R$ 64,00 em São Miguel do Oeste e subiram para R$ 67,00 em Xanxerê.
Paraná: estabilidade no mercado e alerta para menor safra em 2026/27
No Paraná, o mercado permaneceu estável, ainda que firme, com ritmo lento de negociações. Os moinhos seguem ativos na busca por trigo de melhor qualidade e priorizam contratos mais alongados, com entregas a partir de abril e maio. No norte paranaense, as ofertas variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, com compradores indicando cerca de R$ 1.350 posto moinho e negócios ocorrendo na faixa de R$ 1.370 a R$ 1.380 CIF. Nos Campos Gerais, as indicações estão próximas de R$ 1.300/t CIF, enquanto há poucos vendedores dispostos a negociar ao redor de R$ 1.300/t FOB.
A menor fluidez também reflete o foco do produtor na colheita de soja e milho. Além disso, o Deral estima redução de 6% na área plantada de trigo em 2026 ante 2025, para 775,6 mil hectares, o que pode representar o menor plantio do cereal no estado desde o ano 2000, além de apontar queda na produtividade média. Para o Paraná, a sinalização é importante, já que o estado é o segundo maior produtor nacional.
São Paulo: especulação domina e negócios praticamente travam
Em São Paulo, o mercado segue marcado por muita especulação e praticamente nenhum fechamento. A TF Agroeconômica relata que os moinhos querem ouvir ofertas, mas estão muito preocupados com a escalada do frete. Com isso, o produtor pede preços elevados, como R$ 1.400/t FOB interior, mas a conta não fecha para o comprador. O resultado é um mercado travado, com moinhos se abastecendo com trigo importado e buscando matéria-prima local para maio e junho.
Minas Gerais: preços em alta e sinais de redução de área
Em Minas Gerais, os preços seguem em alta, mas o mercado já começa a monitorar uma possível redução de área na próxima safra. Ainda não há uma conclusão definitiva, mas já surgem referências locais apontando diminuição do plantio, o que acende um sinal de alerta. No mercado, o trigo é indicado a R$ 1.400/t FOB para 30 dias, praticamente sem ofertas. O farelo aparece em R$ 1.100/t a granel.
A moagem e as vendas foram consideradas normais, mas a indústria relata dificuldade para repassar novos aumentos de preços das farinhas, depois de um reajuste de 4% e com perspectiva de novo avanço no início do próximo mês. Além disso, fretes e embalagens seguem pressionando os custos.
Fonte: RuralNews