O mercado de trigo nos estados do Sul do país segue marcado por lentidão nas negociações, dificuldades de demanda e forte disputa entre origens, em um cenário que limita a formação de preços e reduz o volume de negócios. De acordo com a TF Agroeconômica, o ritmo mais fraco é observado de forma generalizada, ainda que com particularidades regionais.
No Rio Grande do Sul, a exportação já não sustenta o mercado, com preços em torno de R$ 1.130,00 CIF para fevereiro. A demanda interna também apresenta fragilidade, com moinhos relatando consumo baixo, inclusive com paralisações após o retorno de férias coletivas. Produtores que ainda precisam retirar trigo em janeiro ou fevereiro encontram como alternativas valores de R$ 1.140,00 CIF na Serra gaúcha ou R$ 1.180,00 CIF em Ponta Grossa, no Paraná. Para entregas em março, com pagamento no início de abril, os preços giram em R$ 1.180,00 CIF ou R$ 1.050,00 FOB. O trigo argentino ganhou competitividade frente ao paranaense, mas ainda perde espaço para o produto paraguaio. O preço da pedra ao produtor permanece em R$ 54,00 em Panambi.
Em Santa Catarina, a expectativa de maior movimentação não se confirmou. O mercado segue travado, com embarques de lotes já comprados e início de consultas, mas a dificuldade na venda de farinhas e os preços baixos do produto final limitam novas aquisições. Vendedores pedem cerca de R$ 1.250 FOB, enquanto compradores oferecem em torno de R$ 1.200 CIF, resultando em negócios pontuais e sem expressão. O trigo gaúcho continua competitivo e as transações ocorrem de forma esporádica, conforme os moinhos conseguem avançar nos contratos de farinha.
No Paraná, os preços permanecem estáveis, com moinhos abastecidos para janeiro e focados em compras para fevereiro. As negociações avançam lentamente devido ao desencontro entre prazos de entrega e pagamento. No norte do estado, os preços nominais estão em R$ 1.250,00 CIF, com pedidos mais elevados por parte dos vendedores. Nos Campos Gerais, as ofertas variam entre R$ 1.170 para janeiro e R$ 1.200 para fevereiro. O trigo paraguaio segue altamente competitivo, sobretudo no Oeste, principal região moageira do estado.
Fonte: Agrolink