Depois de cair 2,7% na véspera, os papéis futuros de milho sobem 1,5% nesta quarta-feira (30/04), em Chicago. A cotação é de US$ 4,7650 o bushel.
Além de um ajuste técnico, os contratos recebem suporte de uma venda relâmpago de 120 mil toneladas, segundo análise da Dow Jones Newswires. A comercialização foi com “destinos desconhecidos”, o que o mercado considera ser a China.
Ontem, o milho caiu depois que o Departamento de Agricultura americano (USDA) reportou um avanço acelerado no plantio dos EUA. Até o último domingo, os agricultores do país plantaram 24% da área esperada para este ciclo 2025/26, avanço se comparado com os 22% registrados na média dos últimos cinco anos, segundo dados do
“Além desse avanço considerável no plantio, o que chama a atenção são as previsões para os próximos dez dias, que indicam chuvas para grande parte do Cinturão de Grãos nos EUA. Isso deve acelerar ainda mais a situação do plantio com esse quadro de reposição hídrica do solo”, observou Ismael Menezes, sócio da MD Commodities.
O trigo passa pelo mesmo processo que o milho nesta manhã e, depois de recuar 1%, agora sobe 1,67%, a US$ 5,34 o bushel.
Segundo dados do USDA, do total de área plantada com trigo de inverno no país, 49% estão em boas e excelentes condições. Na semana passada, o índice era de 45%. No principal Estado produtor, o Kansas, as condições favoráveis são 47%, versus 41% divulgados na semana passada pelo órgão.
As regiões produtoras dos EUA vêm sendo beneficiadas por chuvas, e alimentam a expectativa com a colheita, que deve se iniciar dentro de um mês.
Ainda na bolsa de Chicago, os contratos da soja caem 0,55%, cotados a US$ 10,44 o bushel.
A pressão aos preços também veio dos dados de plantio nos Estados Unidos. Os produtores locais semearam 18% da área prevista para o ciclo 2025/26. Houve avanço semanal de 10 pontos percentuais nos trabalhos em campo, que ainda estão à frente dos 17% registrados nessa mesma época do ano passado e superam os 12% da média dos últimos cinco anos.
Ainda que a guerra comercial permaneça no foco dos investidores, para Ismael Menezes, da MD Commodities, as recentes declarações da China de que vai dar prioridade a soja brasileira em detrimento da americana não trazem nenhum reflexo para os preços na bolsa neste momento.
"A China sempre vai comprar soja do Brasil no primeiro semestre do ano, independentemente de qualquer posicionamento chinês. O grão brasileiro é mais barato que o americano, e o trader que vai nos EUA buscar o produto para a China não está sabendo fazer as contas. A China deve seguir com essa forte demanda da soja brasileira até julho, e por isso não vejo relação com a queda do preço hoje [ontem], que está sendo muito mais pressionado pelo bom andamento da safra americana".
Fonte: Globo Rural