Moinhos de São Paulo devem processar 5% a 8% menos trigo em 2017. O presidente do Sindicato da Indústria do Trigo do Estado São Paulo (Sindustrigo), Christian Saigh, disse ao Broadcast Agro que o desemprego e a consequente queda na renda das famílias têm pressionado o consumo de farinha e derivados na região considerada líder nacional em moagem. A expectativa é de que a indústria paulista processe algo em torno de 1,77 milhão de toneladas de trigo.
Segundo contou Saigh no Congresso Internacional da Indústria do Trigo, em Campinas (SP), a queda de até 8%, no comparativo anual, já foi verificada no acumulado dos meses de janeiro a setembro. Em geral, a moagem de trigo no País é de 11 milhões de toneladas, das quais 17% cabem a São Paulo. Saigh destaca que os paulistas respondem por 34% do consumo nacional de derivados de trigo e, ainda assim, o parque fabril do setor trabalha com pelo menos 40% de capacidade ociosa. "A redução no consumo, que desencadeia queda na moagem, está muito ligada à renda do trabalhador. Há uma expectativa de recuperação em 2018, à medida que venha investimento para o País e diminuição no desemprego", afirma o executivo, que também é vice-presidente do Moinho Santa Clara.
O executivo conta que moinhos paulistas se abastecem amplamente com trigo argentino, mas neste ano a qualidade da proteína é, em média, 0,5% inferior. Fornecedores que dispõem de cereal com teor de proteína mais alto (12%) estão pedindo um prêmio de, aproximadamente, US$ 10 por tonelada sobre o preço. Porém, compradores brasileiros resistem. "O que vamos fazer para manter a qualidade é misturar o trigo do Paraná, com o paulista e o argentino e assim atender os padrões de demanda do consumidor", diz Saigh.
O executivo justificou a fraca demanda pelo cereal do Paraná, onde produtores pedem R$ 3 a R$ 4 acima do preço oferecido pela saca de 60 quilos, ou R$ 36 por saca. Ele lembra que o ICMS nos negócios interestaduais, que era de 2%, subiu para 8% este ano, o que fez o trigo paranaense perder competitividade para o argentino. Por isso, diz Saigh, o país vizinho deve seguir como a principal opção de abastecimento aos moinhos paulistas, além, claro, do cereal produzido em São Paulo.
Fonte: Agência Estado / Agro News