Correção
Diferentemente do que informou a matéria "Moinho quer trigo de fora do Mercosul sem TEC", publicada à página B8 da edição de 17 de fevereiro, o pedido para estabelecer uma cota de 750 mil toneladas de trigo isenta de TEC foi apresentado pelo setor privado americano, e não pela Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), que apoia a medida.
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) deve analisar em sua próxima reunião, no dia 22, um pedido da indústria processadora de trigo e farinha para estabelecer uma cota anual de importação de 750 mil toneladas de trigo isentas da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul.
O pleito é que a isenção seja autorizada apenas para as importações durante os períodos de entressafra brasileira, que vai de janeiro a abril mês em que Minas Gerais já começa sua colheita. Na região Sul, que abriga cerca de 90% da produção nacional de trigo, a entressafra vai de janeiro a julho.
Segundo Rubens Barbosa, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo) e exembaixador do Brasil em Washington, a medida é necessária para aumentar a competição com o trigo que vem da Argentina e entra no país sem tarifa. "Na entressafra, a Argentina fica sozinha como fornecedora de trigo [aos moinhos brasileiros] e tem maior poder de determinação de preço", afirmou.
Barbosa disse que a medida aumentaria principalmente as importações de trigo dos Estados Unidos e do Canadá. Ele acredita que a isenção de tarifa para o trigo de fora do Mercosul pode reduzir em 15% as vendas do cereal do país vizinho ao Brasil. Em 2016, foram importadas 3,950 milhões de toneladas de trigo argentino, 66% do total de 5,950 milhões de toneladas do cereal trazidas do exterior no ano passado.
A última vez em que a Camex autorizou a isenção de tarifa de importação de trigo de fora do Mercosul foi em 2014, época em que os produtores argentinos seguravam as vendas por causa da instabilidade econômica e de políticas do governo de desestímulo à exportação do cereal.
Desta vez, o pedido da indústria ocorre num momento de oferta elevada do cereal no Brasil e preços pressionados. Os produtores brasileiros colheram, na safra 2016, 6,726 milhões de toneladas trigo, 21% mais que no ciclo anterior.
Mesmo assim, a importação cresceu. Só entre agosto e janeiro, com a colheita estava em andamento, foram importadas 4 milhões de toneladas, um recorde histórico, segundo Élcio Bento, analista da Safras & Mercado
Como consequência, os preços internos estão abaixo do preço mínimo estabelecido pelo governo. No Paraná, o preço médio de comercialização está em R$ 610 a tonelada, enquanto no Rio Grande do Sul o valor médio está em R$ 525. Em ambos os Estados, os valores recebidos pelos produtores está abaixo do preço mínimo de R$ 644,20 a tonelada.
A defasagem já levou a Conab a realizar oito leilões para auxiliar o escoamento do produto, nos quais foram comercializados 815,4 mil toneladas de trigo.
Fonte: Valor Econômico