Estamos vivenciando uma crise muito grave, mas o nosso olhar para frente enxerga que a mão que vai tirar o país desse atoleiro vem do agronegócio". Esta afirmação é da professora de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas, Virene Roxo Matesco, em sua palestra "Cenário Econômico Nacional e Internacional: Perspectivas", ministrada na última sexta-feira (28/04), no Fórum Financeiro promovido pelo Sistema Ocepar.
Paraná - Segundo a professora, a agropecuária foi o único setor que teve o PIB setorial positivo em 2015, ano que marcou o início da atual crise, sendo que para este ano a estimativa é que registre o maior percentual de crescimento, chegando a um PIB setorial na ordem de 6%. "E o Paraná, estado que responde por 6,22% do PIB brasileiro e por 18,6% da safra nacional, terá um papel importante papel na recuperação econômica do país. Por aqui, o agronegócio tem uma importância econômica muito grande, além do que, a última safra foi muito boa, em termos de produtividade, o que vai ajudar a fazer com que o preço dos alimentos não suba tanto", disse.
Cenários - Convidada para falar sobre a situação econômica do mundo e do Brasil, contextualizando o ambiente econômico e as perspectivas e os rumos econômicos e políticos das sociedades envolvidas, a professora Virene mostrou indicadores nacionais e internacionais e comentou os principais entraves que o Brasil enfrenta para voltar a crescer, considerando o ambiente interno e externo. "Esta é a pior crise em 115 anos história econômica brasileira", frisou.
História - Segundo Virene, o Brasil vivenciou 15 recessões no período entre 1900 e 2015, sendo que em quatro delas com taxas reais de variação do PIB em torno de -3%. "Em 2015 e 2016, a queda do PIB brasileiro foi de -3,8% e -3,6%, respectivamente, totalizando no acumulado uma perda de riqueza em torno de 8%. Isto mostra que estamos num momento muito difícil, cuja solução vai exigir medidas muito duras de todos", frisou.
Reformas - Na sua avaliação, o atual governo conseguiu estancar a queda, retomando a confiança do mercado e apresentando sinais fracos de retomada de crescimento. "O governo Temer assumiu alguns desafios, como implementar políticas estruturantes, porém, não tem sido uma tarefa fácil, tome-se como exemplo a dificuldade em aprovar as reformas trabalhista e previdenciária, e as repercussões que esses assuntos vem gerando. Mas é imprescindível olhar o para frente e compreender que algumas medidas são inevitáveis", concluiu. Para 2017, completa a professora, diante do atual cenário e perspectivas, o mercado projeta uma taxa Selic de 8,5%, ante 12,75% do ano passado, o IPCA (Ìndice de Preços ao Consumidor Amplo) de 4%, contra 6,20% do ano passado, porém, a taxa de desemprego deve ter uma leve elevação, chegando a 12%, contra 11,5% de 2016.
Fonte: Mídia News