O esforço dos produtores brasileiros em reduzir a área de produção de trigo a fim de controlar a oferta do cereal e, por consequência, os preços não deve ter efeito prático. A produção mundial deve ser recorde e os estoques devem crescer.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para cima as estimativas de produção do cereal, que deve alcançar 829 milhões de toneladas na safra 2025/2026. Já os estoques finais, depois de quatro ciclos consecutivos de redução, devem crescer e chegar a 271,4 milhões de toneladas.
A alta foi impulsionada pela boa produção das áreas de trigo em países exportadores, como União Europeia, Rússia, Canadá, Austrália e Argentina. Só os produtores argentinos, nossos principais fornecedores, devem colher 24 milhões de toneladas, segundo a Bolsa de Cereales.
Os dados estão no relatório do Itaú BBA, que aponta que, mesmo com a redução na área semeada no Brasil, a safra de trigo por aqui deve retrair apenas 2,6%, se comparada ao ciclo anterior. A consultoria ainda considera que eventos climáticos adversos entre o fim de outubro e início de novembro, como chuvas intensas, granizo e temporais registrados no Rio Grande do Sul e Paraná, podem provocar novas revisões desta estimativa de produção.
Apesar disso, de acordo com o Itaú BBA, o mercado brasileiro de trigo ainda vai sofrer com a oferta elevada no mercado internacional, que terá impacto direto nos preços. “Para os próximos meses, a dinâmica cambial e a evolução das condições climáticas na Argentina serão fatores-chave para definir o comportamento das cotações e a estratégia de originação doméstica”, conclui o relatório do banco.
Fonte: Agro Estadão