Uma série de relatórios divulgados em janeiro indica um cenário amplamente desfavorável para o mercado de trigo, marcado por aumento de estoques, oferta elevada e dificuldades para reação de preços. As estimativas apontam um ambiente de excesso tanto nos Estados Unidos quanto no mercado internacional, pressionando as cotações e reforçando a percepção de fundamentos negativos para o cereal.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projetou estoques finais de trigo norte-americano em 926 milhões de bushels em junho de 2026, volume acima das expectativas do mercado e significativamente maior que o registrado no ano anterior. A revisão refletiu, principalmente, menor uso para ração animal e outros fins, além de ajustes no consumo de sementes, enquanto as exportações totais permaneceram estáveis. Os estoques em 1º de dezembro também cresceram 7% na comparação anual, atingindo 1,68 bilhão de bushels, com concentração relevante nos estados das Planícies do Sul e do Centro-Oeste Superior.
Entre as classes, os estoques de trigo vermelho de inverno e de primavera foram elevados, sustentados por menor consumo interno e redução nas exportações, enquanto o trigo branco e o trigo durum apresentaram recuo nos estoques projetados em função do maior ritmo de vendas externas e uso doméstico. No mercado global, as projeções também foram revisadas para cima, com aumento da produção e dos estoques finais, impulsionados principalmente por safras maiores na Argentina e na Rússia, que mais do que compensaram ajustes negativos em outros países.
No campo, a área semeada de trigo de inverno nos Estados Unidos ficou abaixo da média histórica e distante dos níveis observados em décadas anteriores, embora ligeiramente acima do que parte do mercado esperava. Houve diferenças regionais relevantes, com avanço em alguns estados e retração em outros, refletindo condições climáticas e mudanças na rentabilidade relativa frente a culturas como milho e soja.
Fonte: Agrolink