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Paraná pode chegar a 4 milhões de toneladas de trigo na safra de 2025

Em 2025, o Paraná deve colher um volume entre 3,8 e 4 milhões de toneladas de trigo. A previsão é do presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Paraná (Sinditrigo-PR), Daniel Kümmel. Segundo ele, há uma perspectiva de uma pequena redução na área plantada, de cerca de 0,7%, mas ainda mantendo uma estabilidade em relação ao ano de 2024.


“Mas ainda está muito cedo para tomar o tamanho da safra”, pontua. Isso porque as projeções anteriores esperavam uma redução maior na área, e produtores ainda tomam decisões em relação ao milho safrinha e ao plantio do trigo, que se inicia entre abril e maio, a depender da região.


“O trigo também está num preço bom agora, então pode ser que isso faça com que o produtor rural se incentive”, diz Kümmel. O preço do trigo atualmente, no Estado, opera em torno de R$ 1.600 a tonelada, mesmo com um certo aumento nos custos de produção com o dólar em patamares mais elevados, comenta.


Importação recorde

O presidente aponta que os moinhos de trigo do Paraná são responsáveis por 30% da moagem de trigo no Brasil e vivem um momento de ajustes e planejamento diante da quebra da safra de 2024, provocada pelas condições climáticas adversas.


Kummel afirma que todo o trigo do Estado já foi comercializado, e que se estima uma necessidade de importação para a safra de 1,7 milhão de toneladas, um volume recorde, proveniente da Argentina, Paraguai e Rio Grande do Sul e, de forma mais pontual, de Santa Catarina e do Cerrado.


“Diante desse cenário, os moinhos devem se preparar para um mercado sustentado em patamares elevados nos próximos meses, com impactos diretos na precificação da farinha e nos custos operacionais. A gestão de estoques, a diversificação de fornecedores regionais e um acompanhamento atento do mercado serão decisivos para mitigar riscos e garantir competitividade”, afirma Kümmel.


Workshop

No dia 18 de março, em Curitiba, o Sinditrigo-PR promove o Workshop Moageiro Moatrigo, para debater cenários e desafios da safra de trigo no Brasil, com foco no Paraná.


O analista Elcio Bento, da consultoria Safras & Mercado abordará perspectivas para a safra. Na análise de Bento, o cenário brasileiro é marcado por disparidades regionais. Enquanto estados como Goiás, Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso do Sul devem ampliar as áreas plantadas, impulsionados pelos bons retornos do trigo irrigado, no Paraná, a expectativa é de uma leve retração.



Na projeção de fevereiro, esperava-se uma queda de 4,3% na área plantada no estado. No entanto, com a recente elevação das cotações do trigo – que estão até 30% acima do mesmo período do ano passado –, a estimativa foi revisada, e a redução deve ser de 0,7%. "É uma leve retração, muito próxima da manutenção. Estamos trabalhando com uma área de 1,142 milhão de hectares no Estado", explica Bento.


“Sempre que falamos em área plantada, é importante lembrar que o Paraná já vem de uma retração no ano passado. Ou seja, há uma previsão de queda em cima de uma área que já era menor, e o principal fator é o milho safrinha, mais atrativo e lucrativo para o produtor”, afirma.


Uma exceção no Estado é a região dos Campos Gerais, onde a área plantada com trigo deve crescer. Nessa região, não se cultiva milho safrinha, e o trigo compete basicamente com a cevada.


No entanto, o analista destaca que a estimativa de potencial produtivo para 2025 no Paraná é quase 60% superior à do ano passado, quando as condições climáticas foram muito adversas à cultura do trigo.


Fonte: Globo Rural


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