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Plantio de trigo encolhe na região de Passo Fundo em meio a custos altos e clima incerto

A área cultivada de trigo nos 42 municípios que integram a regional da Emater em Passo Fundo, no norte do Estado, reduziu quase 7% em 2025. Passou de 115,8 mil hectares no ano passado para 108 mil hectares.


A diminuição acompanha a tendência estadual: a área cultivada caiu de 1.322.167 hectares para 1.198.276, cerca de 9%. A queda está ligada, principalmente, ao alto custo de produção e incertezas do clima, além de dificuldade de acesso a crédito pelos produtores.

De acordo com o gerente regional da Emater em Passo Fundo, Josmar Veloso, o investimento na lavoura é de em média R$ 4 mil por hectare, equivalente a mais de 60 sacas do grão.


Mas apesar da retração na área, a produtividade projetada é positiva. A média regional das últimas safras ficou entre 60 e 62 sacas por hectare, mas neste ano há potencial para 70 a 80 sacas, chegando a 90 sacas em áreas mais favoráveis, conforme Josmar:


— O trigo é uma cultura de alto risco e muitos produtores repensaram o plantio por conta do preço dos insumos que, aqui na nossa região, aumentaram em torno de 15%. Se o investimento custa para o agricultor 60 sacas por hectare, por exemplo, a média dos últimos anos fica abaixo disso.

Além do volume colhido, a qualidade do grão é determinante para a renda. Trigos com peso hectolitro (PH) acima de 78 recebem o valor de mercado, hoje entre R$ 69 e R$ 70 a saca; abaixo de 75, podem ser vendidos por menos da metade, em torno de R$ 40 quando destinados à ração.


A Emater reforça a importância do trigo no sistema produtivo, já que contribui para a cobertura do solo, controle de plantas daninhas e descompactação, preparando o terreno para as culturas de verão.

Uma novidade que pode estimular o cultivo do trigo na região é a utilização do grão pela indústria de etanol. Em Passo Fundo, a nova fábrica da empresa Be8 deve absorver parte da produção que não atinge o padrão de qualidade exigido pelos moinhos.


O trigo com PH abaixo de 70, por exemplo, poderá ser negociado entre R$ 50 e R$ 60 pela indústria de etanol.


— É um bom negócio, abre uma alternativa para o produtor. Acredito que a tendência é os agricultores se interessarem mais pelo trigo. É um ganho para o setor energético e também para quem está no campo — avaliou Veloso.

A possibilidade de destinar o trigo para a produção de etanol é vista como um alívio para produtores que enfrentam altos custos e sucessivas perdas. O agricultor Rodrigo Coradi, de Marau, conta que reduziu de 120 para 50 hectares a área destinada ao trigo neste ano.


— Nos últimos cinco anos, se colocarmos na ponta do lápis, só tivemos uma safra com rentabilidade. As demais deram prejuízo. Hoje, o custo chega a cerca de 60 sacas por hectare, somando lavoura e encargos bancários. Então resolvemos reduzir — disse.


Mesmo diante das incertezas, ele vê no biodiesel um alento para quem segue investindo na cultura:


— Para nós, o trigo sempre foi uma alternativa, mas com o clima e os custos, muitos produtores estão desistindo. A indústria de etanol pode ajudar, porque não vamos depender apenas dos moinhos, o que melhora as condições de preço.


Fonte: GZH


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