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Produção de trigo supera receio com a guerra e mantém preços em baixa

O ano de 2025 foi marcado por uma ampla produção de trigo no mundo, que superou a demanda prevista pelo cereal. A oferta abundante também amenizou qualquer preocupação com o fornecimento causado pela guerra entre Rússia e Ucrânia, que se destacam entre os maiores fornecedores de trigo do mundo.


A última estimativa do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) indicou que a safra mundial em 2025/26 poderá alcançar 837,81 milhões de toneladas, quase 40 milhões de toneladas a mais que o total produzido em 2024/25. O consumo de trigo no mundo está calculado em 819 milhões, segundo o USDA.


Olhando para esse balanço entre oferta e demanda confortável, o mercado do trigo se viu obrigado a baixar os preços no cenário externo. Na bolsa de Chicago, os preços tiveram queda de 4,3% em 2025, segundo o Valor Data.

Parte dessa movimentação das cotações está relacionada com a produção obtida em países do Hemisfério Sul.


“Se a gente somar a produção de Argentina e Austrália, são quase 10 milhões de toneladas a mais em relação ao ano passado. É como se um novo país aparecesse no mapa da produção mundial de trigo, já que nem o Brasil é capaz de ofertar essas 10 milhões de toneladas”, observa Luiz Pacheco, da T&F Consultoria Agroeconômica.

Recentemente, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires elevou sua previsão para a safra de trigo argentina a um patamar recorde, de 27,8 milhões de toneladas.


A guerra entre Rússia e Ucrânia, que no seu início, em fevereiro de 2022, abalou o mercado internacional com preços recordes por receio de falta de trigo, hoje é fator secundário, uma vez que a ampla produção está garantida. A Rússia é o maior exportador de trigo do mundo, enquanto a Ucrânia ocupa a quarta colocação nesse ranking.


“A guerra não tem mais tanta influência sobre o preço do trigo porque hoje a produção está bem distribuída e não fica concentrada em apenas alguns países. Se Ucrânia e Rússia não puderem exportar, outros grandes produtores de trigo irão fazê-lo, como a Argentina, Austrália ou Canadá”, frisa Pacheco.


Por fim, o analista enxerga alguma chance de reação para os preços do trigo a partir deste início de 2025, quando o trigo entra em período de entressafra, até o início da safra de inverno, em maio.


“A tendência ainda é de baixa, mas pode começar a reverter a partir do momento em que o mundo começar a consumir os estoques à esperada da nova temporada de colheita”, finaliza.


Fonte: Globo Rural


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