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Produção global de trigo chega a 807 milhões de toneladas e Brasil enfrenta riscos climáticos

A produção mundial de trigo foi ajustada para 807 milhões de toneladas, segundo dados do USDA e do Itaú BBA Agro. O resultado representa alta de 1% em relação ao ciclo anterior, com destaque para a recuperação da União Europeia, que deve colher 12% a mais, e da Índia, com avanço de 4%. Argentina, Rússia e Estados Unidos também mantêm desempenho positivo, embora com cenários distintos.


Na Argentina, principal fornecedora do Brasil, o plantio foi concluído com boas condições hídricas em 84,8% da área, abrindo caminho para uma colheita superior a 20 milhões de toneladas pela segunda safra consecutiva. Já na Rússia, chuvas atrasaram o início da colheita em julho e prejudicaram a qualidade dos primeiros lotes, mas a consultoria SovEcon revisou para cima as estimativas de produção e exportação diante da recuperação das lavouras. Nos Estados Unidos, a colheita do trigo de inverno já foi concluída, enquanto o trigo de primavera entra na reta final, com qualidade considerada mista devido às oscilações climáticas.

No Brasil, a colheita da safra 2025/26 atingiu 9,1% da área até o fim de agosto, segundo a Conab, alinhada à média histórica. Contudo, o cenário é de retração: a área cultivada caiu 17,9% em relação ao ciclo anterior, totalizando 2,5 milhões de hectares, e a produção esperada recuou 13%, para 7,6 milhões de toneladas. Além disso, fatores climáticos e fitossanitários preocupam. No Paraná, há registros de oídio em lavouras mais tardias; em São Paulo, áreas já foram dessecadas; e no Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, o desenvolvimento segue dentro da normalidade.


A previsão de chuvas intensas em setembro eleva o risco de perdas de qualidade nos estados do Sul e Sudeste, justamente no pico da colheita. A expectativa, porém, é que a transição para o fenômeno climático La Niña favoreça as etapas finais da colheita, reduzindo os impactos das precipitações.


Fonte: O Presente Rural


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