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Rota dos grãos em risco: o impacto da crise no Oriente Médio sobre o comércio brasileiro

Quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã, reacendendo uma crise de grandes proporções no Oriente Médio, os primeiros sinais de tensão apareceram onde se esperava: nos preços do petróleo, nos mercados financeiros e nos comunicados diplomáticos. Mas, longe dos holofotes da energia e da geopolítica militar, uma engranagem mais silenciosa, e igualmente sensível, também entrou na zona de risco: o comércio agrícola entre Brasil e Teerã.

O intercâmbio comercial entre Brasil e Irã somou cerca de 3 bilhões de dólares em 2025, marcado por forte assimetria a favor dos brasileiros. As exportações alcançaram aproximadamente 2,9 bilhões de dólares, enquanto as importações ficaram em apenas 84,6 milhões de dólares. O resultado foi um superávit robusto, da ordem de 2,8 bilhões de dólares, evidenciando o caráter amplamente exportador, e concentrado, dessa relação bilateral.

As exportações se concentram, principalmente, no agronegócio. Segundo o Agrostat,, o Irã foi o 11° principal destindo das exportações do agro brasileiro em 2025, responsável por 1,73% das vendas do setor ao exterior, patamar próximo ao de mercados como Japão, Indonésia, Índia e México. Dos dez principais produtos exportados ao país, nove pertencem ao agronegócio.

Em 2025, milho e soja responderam por 87,2% de tudo o que o Brasil exportou ao Irã. O milho, sozinho, representou 67,9% do total - mais de 1,9 bilhão de dólares - consolidando o país como um dos principais destinos do cereal brasileiro. A soja veio em seguida, com 19,3% (cerca de 563 milhões de dólares), complementada por farelo de soja, carne bovina e açúcar bruto.


Fonte: Veja



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