A oferta de trigo referente aos estoques da última safra está cada vez mais limitada nos Estados da região Sul, enquanto a produção do atual ciclo começa a chegar ao mercado sob incertezas relacionadas à qualidade. O excesso de umidade e a ocorrência de doenças podem reduzir a disponibilidade de cereal adequado à indústria, cenário que tende a manter os preços firmes e aumentar a necessidade de importações.
No Rio Grande do Sul, os estoques da safra velha estão próximos do fim. Negócios foram registrados entre R$ 1.500 e R$ 1.530 por tonelada, enquanto vendedores passaram a pedir entre R$ 1.550 e R$ 1.600. Para a nova safra, compradores indicam valores de R$ 1.350 a R$ 1.400 por tonelada no interior.
A diferença entre as indicações e a expectativa dos produtores limita as negociações. Nos primeiros lotes colhidos, há registros de giberela e outras doenças fúngicas. O peso hectolítrico (PH) varia entre 70 e 76.
A indústria catarinense busca trigo gaúcho entre R$ 1.500 e R$ 1.550 por tonelada, sem considerar o frete. Com o transporte, o custo chega perto de R$ 1.750 por tonelada CIF. Os preços de balcão nas regiões acompanhadas variam de R$ 71,50 a R$ 79 por saca. No Paraná, a disponibilidade de trigo velho também está bastante reduzida, praticamente interrompendo as negociações. Já os primeiros lotes da nova safra apresentam qualidade irregular, com registros de PH e falling number mais baixos em algumas áreas.
A situação levou moinhos a adotar tabelas de descontos, enquanto as ofertas de trigo tipo 1 ficaram mais restritas. As indicações de preços CIF variam de R$ 1.550 por tonelada para entrega em setembro a R$ 1.450 para novembro. Entre as opções importadas, o trigo paraguaio foi indicado a US$ 320 por tonelada nos Campos Gerais. Para o cereal argentino com 11,5% de proteína, a referência chegou a US$ 325 por tonelada em Paranaguá.
Fonte: A Hora