O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados ao mercado americano a partir de 1º agosto gerou forte reação no agronegócio nacional. Em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump classificou a relação comercial bilateral como “muito injusta” e criticou duramente decisões da Suprema Corte brasileira, citando inclusive censura a plataformas digitais dos EUA.
A medida atinge de forma ampla as exportações brasileiras — incluindo commodities agropecuárias e produtos industrializados — e ocorre em paralelo ao anúncio de uma investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais brasileiras. Essa legislação norte-americana permite represálias unilaterais contra países considerados desleais no comércio.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), Antônio Jorge Camardelli, classificou a sobretaxa como “absolutamente injusta” e alertou que ela pode gerar impacto direto na renda de produtores rurais, frigoríficos e toda a cadeia exportadora. Segundo Camardelli, o embargo tarifário “não leva em conta décadas de diálogo e acordos sanitários e comerciais construídos com muito esforço pelo setor produtivo brasileiro”.
Já a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com os efeitos sobre empregos e a competitividade da produção nacional. Em nota, o grupo afirmou que o setor agropecuário brasileiro “tem mantido relações comerciais transparentes e baseadas em critérios técnicos com os Estados Unidos”, e que qualquer retaliação ameaça a segurança jurídica de contratos vigentes.
Nos últimos anos, os EUA se consolidaram como um dos principais destinos de carne bovina in natura, produtos processados e segmentos como suco de laranja e celulose. Embora o agro brasileiro diversifique mercados, analistas apontam que o impacto da tarifa pode ser expressivo no curto prazo, afetando preços internos e pressionando a balança comercial.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e outras entidades devem articular junto ao Itamaraty medidas diplomáticas para tentar reverter ou mitigar os efeitos da decisão. Representantes do setor destacam que o diálogo institucional será essencial para evitar prejuízos maiores em um momento de volatilidade global no comércio agrícola.
Fonte: Gessuli Agrimídia