O mercado internacional da soja opera com estabilidade na manhã desta terça-feira (7). A commodity toma um fôlego depois das boas altas registradas na sessão anterior, quando fechou com ganhos de quase 10 pontos entre os principais vencimentos e, por volta de 7h55 (horário de Brasília), as primeiras posições subiam entre 0,50 e 0,75 ponto, com exceção do agosto/17, que perdia 1,50 para ser cotado a US$ 10,51 por bushel.
Ainda nesta semana, os traders já se preparam e ajustam suas posições à espera do novo boletim mensal de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz na próxima quinta-feira, 9 de fevereiro, o que pode, inclusive, deixar a semana um pouco mais volátil.
Alguns dos números mais esperados são os da América do Sul, em especial os da Argentina, depois dos sérios problemas de clima enfrentados nesta temporada.
Além disso, analistas ouvidos pelo portal internacional Agrimoney afirmam ainda que a cada dia ganham força as especulações sobre a nova safra de grãos dos Estados Unidos e a disputa por área entre milho, trigo e a soja, a qual deverá ganhar um pouco mais de espaço nesta próxima temporada, de acordo com as primeiras projeções.
"Milho e soja continuam disputando acres, e um deles pode fortalecer o argumento dos preços para a tomada de decisão dos produtores sobre o que plantar. A exceção é o trigo de primavera, que não oferece área e poderia, inclusive, perder território de forma bastante severa. Além disso, uma primavera mais 'tardia' também poderia deixar a temporada 2017/18 bastante interessante", explica o analista de mercado Tregg Cronin, da Halo Commodity Company.
Veja como fechou o mercado nesta segunda-feira:
Soja: Preços nos portos do Brasil pegam carona nas altas de Chicago e sobem nesta 2ª
O mercado internacional da soja fechou a sessão desta segunda-feira (6) em campo positivo. Os futuros da oleaginosa negociados na Bolsa de Chicago chegaram a registrar, ao longo do pregão, ganhos de mais de 10 pontos entre as posições mais negociadas, mas amenizaram os ganhos no final dos negócios. Ainda assim, o vencimento maio/17, que serve como indicativo para a safra do Brasil, se manteve acima dos US$ 10,45 por bushel.
Em seu boletim diário, direto de Chicago, a consultoria AGResources informa que os compradores chineses voltam com peso ao mercado. A sessão noturna da madrugada de segunda-feira trouxe um incrível volume de negociações para soja. Com mais de 30 mil contratos de soja (março) operados. Um recorde desde meados à colheita dos EUA (set-nov). Com base nos estudos da ARC Brasil, a projeção de exportação da soja brasileira para fevereiro continua oferecendo um total muito acima da média e do ano passado. Segundo as filas de embarques atualizadas e os navios programados para chegar aos portos do Brasil, o país poderá embarcar quase 6 MTs de soja durante o mês. Além do mais, as exportações de soja norte-americana também se mantêm aquecidas (dada época do ano, com 1,6 MTs). A demanda mundial por soja é robusta, o que tem contrabalanceado o aumento da oferta em pleno progresso de colheita brasileira, dando sustento aos preços em Chicago.
Segundo explica o analista de mercado da consultoria brasileira AgRural, Adriano Gomes, os fundamentos voltam para o centro das negociações neste início de semana e entre eles, ganharam força a demanda pela soja norte-americana e das incertezas sobre a safra da América do Sul, em especial da Argentina. Ao mesmo tempo, o mercado também já começa a se ajustar - depois das baixas da última semana - para a chegada do novo boletim mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Undos) no próximo dia 9 de fevereiro.
Sobre a demanda, Gomes destaca os bons números dos embarques norte-americanos reportados nesta segunda também pelo USDA, os quais ficaram acima das expectativas do mercado ao somaram 1.635,714 milhão de toneladas, enquanto os traders esperavam algo entre 900 mil e 1,2 milhão de toneladas. No acumulado da temporada, os embarques norte-americanos de soja já somam 40.428,675 milhões de toneladas, contra 34.261,895 milhões do mesmo período da safra passada.
E lembra ainda que as vendas dos EUA desta temporada 2016/17 já somam pouco mais de 50 milhões de toneladas, contra 40 milhões do mesmo período da safra anterior e uma média dos últimos cinco anos de cerca de 35 milhões.
Enquanto a demanda se mantém aquecida e crescente, o analista afirma ainda que já há rumores no mercado de que o USDA poderia, em seu reporte da próxima quinta-feira, fazer um corte de aproximadamente 2,7 milhões de toneladas na safra da Argentina, após os problemas ocasionados pelo excesso de chuvas no país. O mês de janeiro foi extremamente chuvoso e os reais prejuízos ainda estão sendo contabilizados. "A Argentina, com esse corte, se confirmado, mexe de novo com o mercado", diz.
Mercado Brasileiro
Para a formação dos preços no Brasil, o dólar ainda segue como principal empecilho. Neste início de semana, a moeda norte-americana seguiu atuando com estabilidade frente ao real e fechou com uma pequena alta de 0,08%, cotada a R$ 3,1260. "O dólar tem atrapalhado a conta do produtor. Com algo entre R$ 3,35 / R$ 3,40, veríamos os preços em patamares bem melhores no interior e nos portos", diz o analista da AgRural.
Assim, nas principais praças do interior do país, as referências fecharam o dia também com estabilidade e quase nenhuma mudança em relação à última sexta-feira (3). As exceções ficaram por conta de Cascavel e Londrina, ambas no Paraná, com uma ligeira baixa de 0,77% para R$ 64,50 por saca, e em Castro, no mesmo estado, onde o preço subiu 1,40% para R$ 72,50.
Já nos portos, as altas registradas em Chicago foram melhor absorvidas e os indicativos encerraram os negócios registrando alguns ganhos. No terminal de Rio Grande, o preço da soja disponível foi a R$ 74,00, subindo 1,31%, enquanto a referência para junho fechou com R$ 77,50 e alta de 1,36%. Em Paranaguá, R$ 74,50 em ambos os casos e ganho de 0,68%.
"A orientação é de que os produtores façam, sempre, uma parte antecipado e, na sequência, vão escalonando suas vendas para conseguir uma boa média", conclui Adriano Gomes.
Fonte: Portal do Agronegócio