As negociações de contratos futuros de grãos na bolsa de Chicago abrem a sexta-feira (24/1) em queda, com a redução temporária dos impostos de exportação na Argentina entre os principais fatores.
O milho, que tem na Argentina seu terceiro maior fornecedor mundial, apresenta a maior queda, de 0,36%, cotado a US$ 4,8800 por bushel.
A queda é limitada por uma redução na estimativa de produção argentina feita na quinta-feira (23/1) pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires, de 50 milhões para 49 milhões de toneladas devido ao tempo seco no país. Além disso, o atraso no plantio brasileiro é um fator altista.
Nos Estados Unidos, as exportações atingiram um recorde na safra 2024/25 de 1,52 milhão de toneladas na semana finalizada em 16 de janeiro, marcando um aumento de 36% em relação à média das últimas quatro semanas e de 2% em relação à semana anterior, somando 1,51 milhão de toneladas, aponta relatório semanal de vendas e exportações divulgado nesta sexta-feira (24/1) pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês).
Os envios foram especialmente fortes para Japão, México e Coreia do Sul, com um aumento de 68% nas vendas líquidas em relação à média das últimas quatro semanas e de 62% em relação à semana anterior, totalizando 1,66 milhão de toneladas.
Soja
A soja opera em queda de 1,04%, a US$ 10,0650 por bushel, influenciada pela Argentina, que leva os operadores a especularem sobre uma maior saída de mercadorias do país, que lidera as vendas de subprodutos da oleaginosa, aponta a consultoria Granar.
As quedas, assim como o milho, são limitadas pelo atraso da colheita no Centro-Oeste brasileiro e pela seca no Sul do Brasil e em áreas da Argentina. A Bolsa de Buenos Aires também reduziu sua projeção da oleaginosa de 50,6 milhões para 49,60 milhões de toneladas.
O coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, Luiz Fernando Roque, acredita que apesar dos problemas de baixa umidade no Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, as altas produtividades esperadas em estados como Paraná, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Bahia devem assegurar uma produção recorde de soja no Brasil.
Mesmo com possíveis ajustes nas estimativas caso o clima seco persista, “é improvável que a produção deixe de ser recorde nesta safra. Fatores como expansão de área, avanços tecnológicos, recuperação do ritmo de plantio e, principalmente, condições climáticas favoráveis após outubro de 2024 têm impulsionado o desenvolvimento das lavouras na maioria dos estados centrais do Brasil”, explica a consultoria.
As exportações americanas de soja sofreram uma queda acentuada de 33% em relação à média das quatro semanas anteriores, somando 1,03 milhão de toneladas.
Trigo
O trigo também opera em queda, de 0,86%, a US$ 5,4925 por bushel, diante da possibilidade de uma aceleração nas exportações argentinas.
Do lado altista, ainda pressionam a desvalorização do dólar frente ao euro durante a semana, favorecendo a competitividade do produto americano, além de uma preocupação com clima frio e geadas em regiões produtoras dos EUA e da Rússia, potencialmente prejudicando as lavouras de inverno.
As exportações de trigo nos EUA caíram 68% em relação à semana anterior e 52% em relação à média, totalizando 201,3 mil toneladas e com as vendas líquidas totais chegando a 164,8 mil toneladas.
Fonte: Globo Rural