Os preços da soja seguem trabalhando em alta na Bolsa de Chicago na sessão desta quarta-feira (8). Por volta de 8h (horário de Brasília), os principais vencimentos subiam pouco mais de 8 pontos, o que levava o contrato maio/17, referência para os negócios com a safra do Brasil, a US$ 10,61 por bushel.
O mercado internacional ainda registra um movimento técnico e reflete a presença de alguns fundos investidores de volta à ponta compradora, reajustando suas posições. Além disso, segundo explicam analistas internacionais, a volta da China depois do feriado do Ano Novo Lunar também tem dado estímulo às cotações.
"Os compradores chineses estão de volta ao mercado este semana, contribuindo com o avanço das cotações", afirma o analista de mercado Tobin Gorey, do Commonwealth Bank of Australia. Complementanto, em nota, a Agritel, disse que "os futuros da oleaginosa têm encontrado na boa atividade de exportação dos EUA renovada pelo apetite chinês".
Ao mesmo tempo, porém, o mercado segue atento também ao potencial das exportações brasileiras, as quais seguem bastante aquecidas também e com espaço para serem ainda maiores, principalmente com o avanço da colheita no país e a chegada da nova oferta. No entanto, a pressão desse fator ainda tem sido limitada sobre a commodity.
Ainda nesta semana, os traders também se posicionam à espera do novo boletim mensal de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz nesta quinta-feira, 9 de fevereiro.
Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:
Soja: Vencimento maio volta aos US$ 10,50 em Chicago, mas preços no Brasil ainda não reagem
A terça-feira (7) foi mais um dia de pouquíssima movimentação para os preços da soja no mercado brasileiro, apesar dos ganhos registrados na Bolsa de Chicago. Quase todas as prinncipais praças de comercialização do Brasil fecharam o dia sem oscilação entre suas referências, as quais têm variado entre R$ 58,00 e R$ 72,50 por saca entre os maiores estados produtores. As exeções ficaram por conta de Sorriso, em Mato Grosso, onde foi registrada uma alta de 2,56% para R$ 60,00 a saca, e em Jataí, Goiás, onde o valor subiu 0,21% para R$ 63,13 e no Oeste da Bahia, com um pequeno ganho de 0,27%, levando a saca para R$ 64,00.
Nos portos, o dia também foi de pouca ou nenhuma mudança nos indicativos. No terminal de Paranaguá, as referências seguem em R$ 74,50 por saca, tanto no disponível, quanto no mercado futuro, enquanto em Rio Grande o preço subiu 0,65% para R$ 78,00 para junho deste ano, e se manteve em R$ 74,00 no disponível, No porto de Santos, queda de 1,61% para R$ 73,30.
"A semana da soja no Brasil começa quase sem negócios, apenas entregas de um ou outro contrato por produtor que conseguiu colher e quase nada de outras posições", explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. As vendas, afinal, não são efetivadas com os indicativos nos portos ainda abaixo dos R$ 80,00.
O dólar segue limitando o espaço para uma recuperação das cotações no mercado brasileiro. Nesta terça, a moeda americana teve outra sessão de movimentações pouco expressivas e fechou com uma ligeira baixa em relação ao real, perdendo 0,28% e cotada a R$ 3,1172. As expectativas de um volume maior de entrada de ingresso de recursos no país segue limitando os movimentos de compra pelos investidores, atentos ainda ao pré-eleições na Alemanha e na França.
"Tem se fortalecido a visão sobre as entradas de recursos, em meio a captações e IPOs (abertura de capital)", resumiu um profissional da mesa de câmbio de uma corretora nacional à agência de notícias Reuters. "O mercado está com os olhos voltados para o exterior, para as eleições na França. Se a Marine Le Pen vencer, pode ser o fim do euro, isso causa algum estresse", completa.
Em Chicago
Na Bolsa de Chicago, os futuros da oleaginosa fecharam o dia com ganhos de 6,25 a 7 pontos entre as posições mais negociadas, com o março/17 valendo US$ 10,42 por por bushel e o maio/17, referência para a safra do Brasil de volta à casa dos US$ 10,50, cotado a US$ 10,53 nesta terça-feira.
As cotações parecem se ajustar diante dos já conhecidos fundamentos e das expectativas para o novo reporte do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) que chega na próxima quinta-feira, dia 9. Alguns dos números mais esperados são os da América do Sul, em especial os da Argentina, depois dos sérios problemas de clima enfrentados nesta temporada.
Complementando o quadro, segundo explica o analista de mercao Flávio França Junior, da França Junior Consultoria, o reporte do departamento americano poderia trazer ainda estoques menores para os EUA e motivar um movimento mais expressivo das cotações. Ao mesmo tempo, alguns fundos que venderam posições na semana passada voltam à ponta compradora do mercado e ajudaram a puxar os preços nesta terça.
Além disso, analistas ouvidos pelo portal internacional Agrimoney afirmam ainda que a cada dia ganham força as especulações sobre a nova safra de grãos dos Estados Unidos e a disputa por área entre milho, trigo e a soja, a qual deverá ganhar um pouco mais de espaço nesta próxima temporada, de acordo com as primeiras projeções.
No boletim da AGResources, de Chicago, os preços do mercado físico brasileiro deverão voltar a se recuperar com as exportações programadas para fevereiro (em níveis recordes) absorvendo a oferta inicial da colheita no país. Já as ofertas de soja norte-americana para exportação no mês de março têm sido mais atrativas que nos portos brasileiros (Tabela FOB). A disputa por demanda mundial de soja, juntamente com uma maior intensidade de ofertas de soja disponível na América do Sul, deverá pressionar o mercado para o começo de março.
Estima-se que os agricultores dos EUA tenham vendido 80-85% de sua soja da safra já colhida 2016/17, e 40-45% do milho. Há duas semanas do começo do plantio de milho norte-americano, os produtores não deverão adicionar novas vendas no mercado físico de soja, nem de milho. | Os preços da oleaginosa na CBOT vem sendo sustentados por novas compras de fundos e pressionados por fundamentos baixistas (grande oferta), operando sem tendências agressivas de baixa ou alta.
Fonte: Portal do Agronegócio