O mercado global de trigo também pode sentir os efeitos das possíveis sanções comerciais impostas pelo Estados Unidos à Rússia e, ainda que a exposição direta do Brasil seja limitada, o setor precisa estar atento aos desdobramentos internacionais.
De acordo com análise da Consultoria Agro Itaú BBA, a Rússia segue como maior exportador mundial de trigo e ocupa a quarta posição no ranking de produção, com uma estimativa de 83,5 milhões de toneladas para a safra 2025/26. O aumento de 2,2% em relação à safra anterior é atribuído ao bom desempenho das lavouras de inverno. A expectativa é que as exportações russas cresçam 6,9%, atingindo 46 milhões de toneladas, reforçando a liderança global do país no comércio do cereal.
Em termos de importações brasileiras, apenas 11% do trigo adquirido pelo país em 2024 veio da Rússia, o que reduz a vulnerabilidade direta em caso de interrupções nas transações comerciais. A Argentina, principal fornecedora do cereal ao Brasil, deve manter a dianteira graças à expectativa de uma safra robusta e à proximidade logística.
Mesmo assim, especialistas alertam para os efeitos indiretos. Caso as sanções limitem o escoamento do trigo russo, outros países compradores devem redirecionar sua demanda para fornecedores alternativos — como Argentina, Uruguai e Canadá, o que pode intensificar a concorrência internacional por origens não sancionadas.
Além disso, segundo a consultoria, a elevada produção russa prevista para esta temporada pode manter os preços globais do cereal em patamares competitivos. Se a Rússia buscar novos mercados ou adotar uma política de venda agressiva para driblar barreiras comerciais, isso poderá pressionar os preços e a margem de negociação de outros exportadores.
Para o Brasil, o cenário é, em princípio, administrável. A disponibilidade de trigo argentino garante certa segurança no abastecimento interno e permite substituição rápida em caso de bloqueios. No entanto, uma eventual corrida global por trigo de origens alternativas pode encarecer o produto e dificultar negociações futuras, sobretudo se a crise diplomática se prolongar.
Fonte: O Presente Rural