O mercado de trigo acumulou altas entre julho e agosto diante do agravamento das tensões no Mar Negro e das dificuldades logísticas enfrentadas pelas exportações russas. No Brasil, a menor disponibilidade de cereal durante a entressafra também contribuiu para manter as cotações firmes.
De acordo com a Consultoria Agro Itaú BBA, o cenário internacional passou a incorporar um prêmio de risco relacionado à capacidade de escoamento da produção da região do Mar Negro, uma das principais áreas exportadoras de trigo no mundo. A escalada dos conflitos entre Rússia e Ucrânia aumentou as preocupações com a logística de exportação e o abastecimento dos mercados compradores.
Entre 1º de julho e 10 de agosto, o preço do trigo soft negociado em Chicago subiu 9%, para US$ 6,43 por bushel. No mesmo período, o trigo hard comercializado em Kansas avançou 15%, chegando a US$ 7,1825 por bushel.
O fechamento da navegação no Mar de Azov afetou o fluxo de cargas russas em julho. Segundo estimativas da SovEcon, o volume embarcado no mês foi o menor para julho desde a temporada 2017/18. Para agosto, as projeções também indicam exportações abaixo da média histórica.
As restrições à navegação elevaram os custos de frete e os riscos relacionados à circulação de embarcações na região. Como uma parcela relevante das exportações russas utiliza essa rota, as condições logísticas passaram a ser acompanhadas de perto pelos agentes do mercado.
No Brasil, o movimento internacional coincidiu com um período de oferta mais restrita. A disponibilidade de trigo da safra passada permanece menor durante a entressafra, principalmente nos lotes com melhor qualidade industrial, fator que influencia as negociações domésticas.
No Paraná, o preço médio recebido pelo produtor chegou a R$ 74,98 por saca de 60 quilos e manteve trajetória de alta nas últimas semanas. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, as cotações também permaneceram firmes diante da menor disponibilidade de cereal e da cautela dos agentes com a chegada da nova safra.
A demanda da indústria ainda apresenta ritmo limitado. Mesmo assim, a menor oferta doméstica somada ao cenário internacional mais valorizado mantém o mercado brasileiro de trigo em níveis firmes durante a entressafra.
Fonte: O Presente Rural