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Trigo: após reação no início da semana, cereal volta a cair na CBOT

Apesar de reagir na abertura desta semana, os preços do trigo seguem pressionados diante de expectativas de oferta mundial do cereal elevada. No início da tarde desta terça-feira, 30, o contrato para setembro de 2024 na Bolsa de Mercadoria de Chicago (CBOT) caía cerca de 1,22%, a US$ 5,24 por bushel.


 recuo ocorre após alta significativa na segunda-feira, 29, de 7,50 centavos de dólar, ou  1,43%, com igual contrato sendo negociado a US$ 5,31 por bushel. O fechamento de ontem foi influenciado por perspectivas de melhor demanda pelo trigo norte-americano, além de uma reação de recuperação técnica frente à forte baixa na sexta-feira, 26, de 2,79% ante o dia anterior, o maior recuo desde 2020.


Estão pressionando as cotações do cereal na CBOT novas projeções da consultoria SovEcon, indicando que a safra russa deve passar de 84,2 para 84,7 milhões de toneladas, elevando o otimismo para uma marca histórica na disponibilidade global de 2024/25. 


Números da Argentina também reforçam as expectativas de oferta mundial de trigo elevada. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, relatório divulgado pela Bolsa de Cereales em 25 de julho estima produção de 18,1 milhões de toneladas, 19,8% superior à da safra 2023/24. 


Negociações no Brasil seguem distintas; trigo argentino perde competitividade frente ao dos EUA

No cenário interno a semana começou com relatos pontuais de negócios. De acordo com análise de Élcio Bento, da Safras & Mercado, com pouco trigo da temporada passada disponível, quem tem necessidade de aquisição imediata encontra um vendedor pouco flexível.


Ainda de acordo com o analista a queda nas cotações internacionais também tem gerado pressão. “Apesar da reação na segunda-feira, o trigo hard negociado no Kansas acumula recuo de 36% em relação ao mesmo período do ano passado, com isso, já é competitivo em relação ao argentino em praticamente todas regiões compradoras brasileiras.


Bento cita como referência o Porto de Santos, em São Paulo, onde, segundo ele, a indicação de chegada do trigo argentino fechou a segunda-feira a US$ 293 por tonelada, contra  US$ 290 do hard americano e US$ 255 do russo. “Isso mostra que mesmo em entressafra, o trigo argentino segue sem espaço para recuperação”, diz o analista.


Outro componente dessa equação são as incertezas em relação à safra brasileira. “Sem ter clareza de quanto e quando terão trigo novo disponível, os moinhos precisam garantir estoques”, comenta Élcio.


De acordo com acompanhamento da Safras, no primeiro dia desta semana o mercado físico teve reações distintas, com a tonelada subindo 3%, no comparativo diário, a R$ 1.700, em Cascavel e Ponta Grossa, no Paraná.


Já em Santa Rosa, Rio Grande do Sul, a tonelada foi comercializada a R$ 1.440, queda de  5,26% ante o fechamento de sexta, 26. Queda ainda mais expressiva foi observada no sul de Minas Gerais, de 9,09%, a R$ 1.300 a tonelada. 


Fonte: Agro Estadão


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