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Trigo brasileiro: produtividade e qualidade serão decisivas para fortalecer a cultura

O trigo ocupa um papel estratégico na alimentação brasileira, presente em produtos como pães, massas e biscoitos. Apesar disso, o país ainda não produz volume suficiente para atender ao consumo interno e é atualmente o quinto maior importador mundial. Em 2026, a produção nacional está estimada em cerca de 5,8 milhões de toneladas, enquanto as importações devem continuar sendo necessárias para complementar o abastecimento. Para o produtor rural, o cenário atual combina desafios econômicos e agronômicos.


A rentabilidade da cultura vem sendo pressionada pelos custos de produção, pela competição com outras culturas de inverno e pela estreita margem financeira. No Paraná, a saca passou de R$ 78, enquanto o custo operacional estimado chega a R$ 77. Como consequência, a área plantada recuou 30% no Rio Grande do Sul e 11% no Paraná, onde o trigo também disputa espaço com alternativas como milho safrinha, cevada e canola.


Esse movimento mostra que ampliar a produção brasileira de trigo não depende apenas de aumentar a área cultivada. Em um cenário de maior competição por espaço e capital, produzir mais e melhor em cada hectare torna-se uma estratégia fundamental para a competitividade da cultura.


Ao desafio financeiro soma-se o fator climático. Com a maior parte das lavouras concentradas na região Sul, a previsão de chuvas mais intensas traz preocupação justamente para a janela de colheita. O excesso de umidade na fase reprodutiva favorece doenças como a giberela e pode levar à germinação do grão ainda na espiga. Quando isso ocorre, o trigo perde o padrão exigido pela indústria de panificação e passa a ser direcionado à produção de ração animal, provocando forte depreciação comercial sem que haja, necessariamente, perda proporcional no volume colhido.


Esse é um ponto especialmente relevante porque produtividade e qualidade precisam caminhar juntas. Um grão que perde características desejáveis para a indústria pode ter seu valor comercial reduzido mesmo sem uma perda proporcional de volume. Proteger o potencial produtivo da lavoura, portanto, significa também preservar a qualidade exigida pela cadeia.


Nesse contexto, genética, clima, manejo fitossanitário e nutrição são determinantes para que a lavoura expresse seu potencial produtivo e entregue grãos com qualidade. A nutrição, em particular, merece atenção. O trigo apresenta elevada demanda por nutrientes e, por isso, um manejo eficiente começa pelo conhecimento das condições da área. Análise de solo, histórico da lavoura, potencial produtivo da cultivar e expectativa de rendimento são informações importantes para definir uma estratégia nutricional adequada.


Mais do que estabelecer uma quantidade fixa de fertilizante, o desafio é aumentar a eficiência do uso dos nutrientes. Isso significa considerar qual nutriente aplicar, em qual fonte, dose e momento, de acordo com as necessidades da planta e as características de cada sistema de produção.


O nitrogênio ocupa papel central nesse processo, mas seu aproveitamento não deve ser analisado de maneira isolada. O equilíbrio com outros nutrientes é fundamental tanto para o desenvolvimento da planta quanto para a formação dos componentes associados à qualidade dos grãos.


Também ganham notoriedade na cultura, manejos que contemplam a aplicação de nutrientes combinados com fontes de matriz orgânica via tratamento de sementes e foliar, ferramentas que tanto podem impulsionar o potencial produtivo da cultura em condições climáticas favoráveis, quanto auxiliar a cultura em condições de estresse, reduzindo as perdas.


Avaliações conduzidas por empresa do segmento de fertilizantes com diferentes estratégias de manejo nutricional mostram potencial de ganhos de produtividade quando a adubação é planejada de forma integrada. Em uma das condições avaliadas, os incrementos chegaram a 12 sacas por hectare, evidenciando o potencial do manejo nutricional para ampliar a produtividade da lavoura.


O impacto dessa estratégia vai além da produtividade. Em determinadas comparações entre estratégias de fertilização e sistemas convencionais de adubação, a literatura já aponta uma redução de 14% a 15% na pegada de carbono por hectare de trigo. O resultado reforça a importância de buscar sistemas que conciliem desempenho produtivo e uso mais eficiente dos recursos empregados no campo.


Outro aspecto que precisa ser considerado é o papel do trigo dentro do sistema produtivo. No Sul do país, a cultura integra a rotação com soja, milho e plantas de cobertura e contribui para a intensificação do sistema de plantio direto. O desafio, portanto, não está apenas em analisar a rentabilidade de uma safra separadamente, mas em entender como cada cultura contribui para o desempenho do sistema como um todo.


O Brasil tem avançado na produção de trigo e ampliado o cultivo para diferentes regiões, impulsionado por avanços em genética e manejo. Ao mesmo tempo, ainda existe espaço para elevar produtividade, qualidade e eficiência. Em um ciclo marcado por margens apertadas e oscilações climáticas, investir em eficiência nutricional e qualidade industrial é parte de uma estratégia mais ampla para proteger o potencial produtivo, rentabilizar cada hectare e fortalecer a competitividade do trigo brasileiro.


Fonte: Agrolink


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