O mercado de trigo encerra o primeiro mês de 2026 em ritmo lento, com pouca movimentação e preços sem direção definida, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O cenário reflete a combinação de oferta ainda ativa no campo e demanda restrita no curto prazo.
Segundo pesquisadores do Cepea, produtores permanecem focados na colheita da safra de verão e na condução das lavouras de segunda safra, o que mantém o trigo em segundo plano nas prioridades de comercialização. “O que se observa é uma atuação mais seletiva do vendedor, com negociações pontuais”, explicam, citando necessidades específicas como fazer caixa ou liberar espaço nos armazéns.
Do lado da demanda, o quadro também é de acomodação. Compradores, sobretudo indústrias e tradings, têm comprado apenas para renovação parcial de estoques, sem intensificar as compras no mercado spot. Parte desse comportamento se deve ao fato de que muitos agentes já estão abastecidos com volumes remanescentes ou com contratos fechados para os meses de janeiro e fevereiro.
O comércio exterior também não trouxe dinamismo ao mercado. As importações e exportações de trigo em janeiro de 2026 ficaram abaixo dos níveis registrados em janeiro de 2025, reforçando a falta de pressão para cima nas cotações.
Em resumo, o início de 2026 tem sido marcado por um mercado de trigo com pouca liquidez e pouca urgência na compra e venda. A expectativa de recuperação depende da retomada da demanda no spot e de sinais mais claros de movimentação no comércio internacional, fatores que ainda não se mostraram presentes neste começo de ano.
Fonte: O Presente Rural