O mercado de trigo entrou em um período de preços elevados no Brasil, ao mesmo tempo em que o cenário internacional segue marcado por fatores capazes de provocar novas oscilações. Segundo análise semanal da TF Agroeconômica, a estratégia mais equilibrada neste momento é proteger margens de forma gradual, evitando decisões baseadas na tentativa de acertar o topo ou o fundo do mercado.
Para os agricultores, a recomendação é aproveitar os níveis atuais para realizar vendas parciais, sem comprometer toda a produção de uma só vez. O escalonamento permite garantir parte da margem e manter alguma exposição a eventuais novas altas. No trigo ainda não colhido, a comercialização deve considerar a definição da qualidade, já que PH, força de glúten e outros parâmetros podem provocar diferenças relevantes de preço.
Quem mantém trigo armazenado deve comparar a cotação disponível com os custos financeiros e de armazenagem. Para a próxima safra, a orientação é acompanhar a relação entre custos e preços futuros, avaliando fixações antecipadas quando a margem projetada for considerada satisfatória.
Cooperativas devem ampliar a cobertura de vendas conforme o mercado físico avança, evitando estoques excessivamente expostos a uma correção de Chicago. Também é indicada a utilização de futuros para proteção das compras e a separação dos lotes por qualidade.
Para cerealistas, a orientação é evitar aumento agressivo de estoques sem proteção e realizar vendas parciais das posições já adquiridas. Já os moinhos devem antecipar parte da cobertura da matéria-prima, combinando compras físicas, futuros e câmbio. A atenção deve permanecer sobre Chicago, fretes, trigo argentino e paridade de importação, fatores que podem alterar rapidamente o mercado brasileiro.
Fonte: Agrolink