O planejamento do próximo ano para a cadeia do trigo ocorre em um momento de decisões importantes para o setor, marcado pelas perspectivas econômicas, pelo desenrolar da reforma tributária, eleições de 2026 e pelos efeitos das condições climáticas sobre a produção. Ao mesmo tempo em que a triticultura local vinha registrando avanços históricos em qualidade e volume, a safra deste ano enfrenta os impactos de um setembro especialmente adverso. Esse conjunto de fatores esteve no centro das discussões do 11º Encontro da Cadeia Produtiva do Trigo de São Paulo, realizado na quinta-feira (24), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), na capital paulista. O presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo), Max Piermartiri, destacou no evento a necessidade de analisar as perspectivas para o próximo ciclo a partir dos diferentes fatores que influenciam a cadeia. “Temos, de um lado, uma evolução histórica da safra de trigo paulista, tanto em qualidade quanto em volume, e, de outro, os desafios impostos pelo clima do mês de setembro. Além disso, as eleições terão impacto importante no ambiente de negócios de 2027, especialmente na economia. É preciso olhar para todos esses fatores e se preparar para o que vem pela frente”, afirmou.
Ao destacar o apoio da Fiesp ao setor, o presidente da FIESP, Paulo Skaf ressaltou a importância da união entre os diferentes segmentos para enfrentar os desafios econômicos e políticos do país. “Estamos em um momento que não é fácil para o setor, para a economia brasileira e para a política. Por isso, é importante que estejamos todos juntos, seja para resolver as questões setoriais, mas, acima delas, as nacionais. Precisaremos de muita força para enfrentar os obstáculos do futuro”, frisou, ao pontuar também as tramitações sobre a escala 6 por 1 e os impactos dentro e fora da cadeia do trigo. Já o secretário-executivo de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Diogenes Kassaoka, frisou a relevância do estado para o consumo de trigo e defendeu uma aproximação cada vez maior entre o setor produtivo e os órgãos estaduais, especialmente diante dos desafios tributários e econômicos. “São Paulo é um estado que consome muito, por isso precisamos melhorar cada vez mais a relação entre o setor e os órgãos estaduais. Estamos muito atentos à assimetria tributária que existe. Temos potencial, indústria e um mercado consumidor grande e qualificado. Precisamos olhar de uma forma diferente para as questões tributárias, que vêm representando desafios para a região”, ressaltou. O abastecimento nacional também esteve entre os temas discutidos no encontro. O presidente da Associação Brasileira do Trigo (Abitrigo), Daniel Kümmel, afirmou que a necessidade do cereal do país poderá superar as estimativas iniciais, de 7,5 milhões de toneladas, e se aproximar de 9 milhões de toneladas. Segundo ele, o aumento decorre das perdas provocadas pelo clima sobre a safra nacional, cuja produção está estimada em 5,7 milhões de toneladas, além da parcela desse volume que já estaria comprometida. “Neste ciclo, o Brasil deverá recorrer ao mercado externo em um volume acima das expectativas inicialmente projetadas. Essa realidade é particularmente importante para São Paulo, que precisa do trigo produzido no estado pela qualidade, pela proximidade dos moinhos e pela importância da cadeia produtiva paulista”, afirmou. Para Kümmel, trigo paulista e importado cumprem papéis complementares no abastecimento da indústria. Nesse cenário, São Paulo também deverá recorrer a um volume de importações superior ao inicialmente estimado, com Argentina e Paraguai permanecendo como fornecedores fundamentais.
Fonte: Compre Rural