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Trigo recua 4,93% em valor com redução de área e pressão de preços em 2025

O valor bruto da produção de trigo recuou 4,93% em 2025, refletindo a combinação de queda de 4,74% nos preços e leve retração de 0,20% na produção. O desempenho foi influenciado principalmente pela redução da área cultivada nos principais estados produtores, segundo dados da Conab e do Cepea.

Apesar da recuperação da produtividade em parte das lavouras, o avanço não foi suficiente para compensar o recuo da área plantada, sobretudo no Rio Grande do Sul e no Paraná. Nos dois estados, fatores econômicos e operacionais pesaram sobre as decisões de plantio.


No Rio Grande do Sul, a redução da área esteve ligada à incerteza sobre a rentabilidade da cultura, às restrições de crédito e às limitações no acesso a seguros agrícolas. No Paraná, o recuo foi influenciado por preços baixos nas últimas safras, desempenho produtivo abaixo do potencial, custos elevados e pela concorrência com o milho segunda safra, que avançou sobre áreas tradicionalmente ocupadas pelo trigo.


No mercado, o comportamento dos preços variou ao longo do ano, com tendência predominante de queda. O primeiro trimestre começou com menor disponibilidade do cereal, o que sustentou as cotações. A entressafra, a retenção de produto por parte dos vendedores e a valorização externa contribuíram para esse movimento. Ainda assim, a liquidez permaneceu limitada, com compradores priorizando lotes de melhor qualidade, em um ambiente de elevados volumes importados.

No segundo trimestre, os preços atingiram pico em abril, impulsionados pela restrição de oferta. Nos meses seguintes, perderam força diante de negociações lentas e da postura cautelosa dos produtores. Em junho, as cotações recuaram com a pressão do mercado internacional, o avanço da semeadura no Brasil e a demanda doméstica mais fraca.


No terceiro trimestre, a tendência de queda se manteve, influenciada pela ampla oferta global, pela valorização cambial favorável às importações e pelo avanço da colheita no país. Com moinhos abastecidos e consumo interno enfraquecido, o ritmo de negociações seguiu limitado.


No quarto trimestre, os preços continuaram em queda no mercado brasileiro. A combinação de oferta interna elevada, estoques altos e maior competitividade do trigo importado pressionou as cotações. A valorização do real frente ao dólar e as expectativas de safras volumosas no cenário internacional, especialmente na Argentina, reforçaram esse movimento até o fim do ano.


Fonte: O Presente Rural


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