Notícias setorial/mercado

Trigo recua após falas de Trump sobre acordo entre Rússia e Ucrânia

Os contratos futuros de trigo iniciaram a semana em queda na bolsa de Chicago, pressionados por um cenário de ampla oferta global. De acordo com a Agrinvest,  os preços do cereal recuaram mais de 2% ao longo da sessão desta segunda-feira (02), acompanhando o movimento negativo do milho.


Os contratos com entrega em março de 2026 encerraram o dia cotados a US$ 5,27 por bushel, equivalente a uma desvalorização de 1,90%. Já os contratos com vencimento em maio de 2026 fecharam a US$ 5,36  por bushel e baixa de 1,73%.


Outro fator que contribuiu para o cenário de queda nas cotações futuras foram as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando atuação direta nas negociações para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia.


"Esse sinal reduziu rapidamente o prêmio de risco geopolítico que vinha sendo incorporado aos preços do trigo, especialmente por envolver uma das principais regiões exportadoras do cereal", informou a Agrinvest.


Segundo a Safras & Mercado, os contratos futuros amenizaram as perdas no encerramento da sessão. Ao longo do dia, o trigo chegou a registrar baixas mais intensas, mas encontrou algum fôlego no fechamento e terminou o pregão com queda menos acentuada.


A Agrinvest ainda reportou que a pressão negativa também se deu por conta dos preços futuros do óleo de soja, influenciado pelo forte recuo das referências do petróleo, o que acelerou o movimento baixista no início desta semana.

No campo climático, a Safras & Mercado reportou o mercado também segue atento aos impactos do clima norte americano na safra e que a presença de cobertura de neve em importantes regiões produtoras dos Estados Unidos reduziu os riscos imediatos para as lavouras de trigo de inverno, o que limitou um suporte mais consistente às cotações.


Segundo informações do Tranding View, o frio intenso nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos e do Mar Negro tem oferecido algum suporte recente aos preços.


"Embora a neve ajude a proteger parte das lavouras do rigor do inverno, o mercado monitora previsões de geadas mais severas na Ucrânia ao longo desta semana, que podem causar danos às safras de trigo de inverno", informou o Tranding View.


Pelo lado da demanda, as inspeções de exportação norte americanas de trigo somaram 326.828 mil toneladas na semana encerrada em 29 de janeiro, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).


O volume ficou abaixo do registrado na semana anterior, mas superou o observado no mesmo período do ano passado.


No acumulado do ano safra 2025/26, iniciado em 1º de junho, as inspeções alcançam 16,69 milhões de toneladas, acima das 14,07 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo da temporada anterior.


Ainda assim, esse avanço não tem sido suficiente para compensar o crescimento expressivo da oferta global.


Argentina


No cenário internacional, a safra de trigo na  Argentina está praticamente com a colheita concluída e registra produção recorde de 27,8 milhões de toneladas, segundo dados da Bolsa de Comércio de Rosário e da Bolsa de Comércio de Buenos Aires.


Já o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estima que a produção mundial de trigo no ciclo 2025/26 alcance 842,2 milhões de toneladas, o maior volume da história. Os estoques finais globais são projetados em 278,3 milhões de toneladas, os maiores dos últimos anos.


Esse quadro indica que, nesta temporada, o crescimento da produção mundial superou o avanço da demanda, fator que explica a trajetória de queda das cotações no mercado internacional e que deve continuar influenciando os preços ao longo dos próximos meses.


Mercado brasileiro


No mercado brasileiro, os preços do trigo seguem pressionados e atingem o menor patamar dos últimos cinco anos. Segundo levantamento da Scot Consultoria, no Paraná, a cotação caiu 1,2% na comparação mensal e passou a R$ 1.168,39 por tonelada. Há um mês, o valor era de R$ 1.182,32 por tonelada.


Na comparação anual, a queda é ainda mais expressiva. Em igual período de 2024, o cereal era negociado a R$ 1.406,41 por tonelada, o que representa uma desvalorização de 16,9%.


De acordo com o relatório de janeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a produção brasileira de trigo foi revisada para baixo em 87,8 mil toneladas na safra recém colhida, totalizando cerca de 7,9 milhões de toneladas, volume 0,2% inferior ao registrado no ciclo anterior.


Apesar da menor produção, os estoques seguem elevados. Com a divulgação dos dados finais de exportação de 2025 pela Secretaria de Comércio Exterior, a estimativa de estoques finais foi revisada para 2,2 milhões de toneladas, o maior nível dos últimos seis anos, o que reforça o ambiente de oferta confortável no mercado doméstico.


Além disso, o fator sazonal passa a ganhar relevância ao longo do primeiro semestre. Historicamente, o período de entressafra no Brasil tende a oferecer maior sustentação aos preços, funcionando como um contraponto ao cenário global de ampla oferta e limitando movimentos mais intensos de queda, com espaço para recuperações pontuais nos próximos meses.


Fonte: CNN


COMPARTILHE: