O mercado de trigo no Brasil segue atravessando a entressafra sob forte influência das importações e com negociações internas pouco ativas. Segundo o Agro Mensal de junho da Consultoria Agro do Itaú BBA, o cenário atual é marcado por queda nos preços no mercado spot, aumento expressivo das importações e valorização do real frente ao dólar — fatores que vêm estimulando a competitividade do trigo argentino em relação ao produto nacional.
De janeiro a maio deste ano, o Brasil importou três milhões de toneladas de trigo, o maior volume para o período desde 2007. A Argentina respondeu por 72% dessas compras, beneficiada pela prorrogação das retenciones (imposto de exportação), que manteve o grão argentino mais competitivo no mercado internacional. Além disso, a queda do dólar frente ao real ampliou o poder de compra das indústrias brasileiras, favorecendo ainda mais a entrada do cereal estrangeiro.
Com os moinhos já abastecidos e a oferta interna limitada, as negociações seguiram em ritmo lento ao longo de maio e na primeira quinzena de junho. Nesse período, os preços médios caíram nos dois principais estados produtores: no Paraná, a retração foi de 2%, com a saca cotada a R$ 78,62; no Rio Grande do Sul, a queda foi de 4%, fechando a R$ 70,04. Muitos produtores que ainda possuem trigo estocado optam por segurar o produto, na expectativa de cotações mais atrativas nas próximas semanas.
No mercado internacional, a tendência de queda prevaleceu em maio, com o preço médio 2% abaixo do registrado em abril na Bolsa de Chicago. A pressão decorreu das boas perspectivas para a produção norte-americana. Contudo, junho começou com alta: o contrato de primeiro vencimento subiu 2% até o dia 13, chegando a 543,75 centavos de dólar por bushel. O movimento de recuperação foi impulsionado por fatores climáticos adversos, como geadas na Rússia e seca na China, além do atraso na colheita nos Estados Unidos, causado por excesso de chuvas, e do aumento das tensões no Oriente Médio, região de forte consumo do cereal.
Com a combinação de estoques elevados nos moinhos, entrada recorde de trigo importado e câmbio favorável às compras externas, o mercado nacional segue pressionado. A expectativa, agora, recai sobre os próximos movimentos dos produtores brasileiros e sobre os desdobramentos do clima nos principais países exportadores, que podem alterar a dinâmica global e influenciar diretamente os preços praticados no Brasil.
Fonte: O Presente Rural