O mais recente relatório de oferta e demanda mundial de grãos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado em agosto, trouxe ajustes relevantes nas estimativas para a safra 2025/26 de soja, milho, trigo e algodão, com impactos diretos nas projeções de estoques e no comércio internacional.
A produção norte-americana foi reduzida de 118 para 116,8 milhões de toneladas, o que também levou à revisão para baixo dos estoques finais do país, de 8,4 para 7,9 milhões de toneladas. No cenário global, o estoque final caiu de 126 para 125 milhões de toneladas.
O Brasil mantém projeção recorde de produção em 175 milhões de toneladas e exportações de 112 milhões de toneladas.
Já a Argentina segue com produção estimada em 48,5 milhões de toneladas, enquanto a China mantém a expectativa de importar 112 milhões de toneladas.
Milho
Ao contrário da soja, o USDA elevou a projeção para a safra dos EUA, que passou de 399 para 425 milhões de toneladas, refletindo ganhos de produtividade. O estoque final global foi ajustado para cima, de 272 para 283 milhões de toneladas.
Para o Brasil, a estimativa de produção foi mantida em 131 milhões de toneladas, mas com queda acentuada nos estoques finais, que devem encerrar a temporada em apenas 3,6 milhões de toneladas.
Na Ucrânia, a previsão de produção subiu de 30,5 para 32 milhões de toneladas.
Trigo
O relatório reduziu o estoque final mundial de 262 para 260 milhões de toneladas, influenciado por cortes nas projeções para os Estados Unidos (de 24,2 para 23,6 milhões) e para o Brasil, cuja produção passou de 8 para 7,5 milhões de toneladas.
O consumo global deve alcançar 805 milhões de toneladas, frente a uma produção estimada em 807 milhões.
A Rússia mantém expectativa de exportar 46 milhões de toneladas, consolidando-se como principal fornecedora global.
Algodão
A produção mundial foi revisada de 25,8 para 25,4 milhões de toneladas, com destaque para a queda na safra dos EUA, de 3,2 para 2,9 milhões de toneladas. O estoque final global recuou para 16,1 milhões de toneladas.
No Brasil, a produção deve atingir 4 milhões de toneladas, mantendo a trajetória de crescimento e reforçando o papel do país como grande exportador, com 3,1 milhões de toneladas previstas para embarque.
Projeções ajustadas
Os ajustes do USDA refletem mudanças nas condições climáticas, avanços tecnológicos e tendências de mercado, influenciando diretamente as expectativas de preços e a estratégia de produtores e tradings.
No mercado futuro, as cotações da soja giram em torno de US$ 10,6/bushel, o milho se aproxima de US$ 5,8/bushel, o trigo opera na casa de US$ 6,9/bushel e o algodão ronda 70 centavos de dólar por libra-peso.
Fonte: O Presente Rural