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'Vilão' em 2015/16, clima deve favorecer empresas agrícolas

O clima foi o vilão dos negócios das empresas agrícolas com ações negociadas na BM&FBovespa na safra de balanços do terceiro trimestre do ano. A forte seca causada pelo evento climático El Niño em Mato Grosso e na região do "Matopiba" - confluência entre os Estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia - e o excesso de chuvas no Centro-Oeste na época da colheita da safra 2015/16 causaram perdas expressivas para as companhias de segmento no período. As perspectivas, contudo, apontam para melhores horizontes com a expectativa de colheita recorde de grãos no ciclo 2016/17, que está em fase de plantio.

A Terra Santa, antiga Vanguarda Agro, uma das maiores companhias produtoras de grãos e oleaginosas do país, registrou no terceiro trimestre do ano prejuízo líquido de R$ 92,09 milhões, 6,7% maior que o resultado negativo de R$ 86,28 milhões que havia reportado no mesmo trimestre de 2015. Na mesma linha, a SLC Agrícola, uma das principais companhias produtoras de grãos e fibras do mercado, registrou prejuízo líquido de R$ 21,21 milhões no terceiro trimestre do ano, revertendo o lucro líquido de R$ 9,51 milhões de um ano antes.

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o El Niño causou perdas de 35,2% na produção de grãos da região Nordeste do Brasil na safra 2015/16, e de 18,2% no Centro-Oeste. "O impacto da perda de produção no Brasil foi tão significativo que teve desdobramento nos preços de comercialização", destacou a SLC na divulgação dos resultados. Para a safra corrente, a expectativa de um clima favorável às culturas de verão levaram a Conab divulgar projeção de produção nacional de grãos na faixa entre 210,9 milhões e 215,1 milhões de toneladas. Mesmo se a previsão menos otimista for confirmada, um novo recorde histórico será batido.

Os resultados da BrasilAgro, companhia focada no desenvolvimento de terras agrícolas, também não foram dos mais animadores. O resultado, embora tenha ficado no campo positivo, ficou muito aquém do visto um ano antes. O lucro líquido ficou em R$ 3 milhões no terceiro trimestre de 2016, equivalente ao primeiro trimestre do ano-safra 2016/17 da companhia, queda de 93,5% sobre o lucro líquido de R$ 46,26 milhões no mesmo trimestre do ano anterior.

Mas o fraco desempenho do último trimestre não surpreendeu aqueles que acompanham o segmento. As atenções agora ficam voltadas para os resultados do primeiro trimestre de 2017, quando a colheita da produção de soja da safra 2016/17 já terá sido finalizada. O clima, que foi vilão, deverá ser o principal fator de impulso nos negócios na atual temporada.

O produtor aproveitou a janela climática, com as chuvas ocorrendo mais cedo nesse ano, e antecipou o plantio da safra de soja 2016/17. A estratégia está caminhando bem e as estimativas apontam para a maior colheita da história do país e um volume próximo ao recorde em Mato Grosso, que lidera a colheita nacional e onde mais da metade da semeadura já foi concluída.

No fim de outubro, a Terra Santa já havia encerrado o plantio da soja da safra 2016/17. O que pode prejudicar o desempenho da companhia é possível excesso de chuvas na colheita. "Vamos iniciar a nossa colheita no dia 26 de dezembro, logo depois do Natal. Vamos fazer um esforço para colher o que puder até 15 de fevereiro", afirmou recentemente o presidente da companhia, Arlindo Moura, em evento com analistas em São Paulo.

De acordo com o executivo, a projeção é que até o final de janeiro já esteja colhida cerca de 34% da soja plantada. Na ocasião, o executivo informou que a companhia já estava com mais da metade dos grãos desta safra negociados.

Fonte: Valor Econômico


 


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